Pensata

Fernando Canzian

06/01/2009

Em queda livre

Publicidade

Confirmando as expectativas mais pessimistas, o IBGE divulgou hoje que a produção industrial brasileira retrocedeu 5,2% em novembro na comparação com outubro. Foi o segundo mês seguido de queda. Entre outubro e novembro, a indústria nacional encolheu 8%.

Assim, em apenas 60 dias, as fábricas voltaram atrás o equivalente a quase meio ano de crescimento, segundo cálculos do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial),

As duas linhas superiores do quadro acima mostram o que ocorreu nas duas áreas mais importantes da indústria. A primeira revela a queda no apetite dos empresários para investir, pois representa a produção dos chamados bens de capital (máquinas e equipamentos). A segunda, com queda mais pronunciada ainda, é a da produção de bens de consumo duráveis (carros, geladeiras, TVs, etc.).

Problema: se essa segunda linha continuar a apresentar queda muito mais forte que a primeira, é natural que o investimento se retraia ainda mais.

Problema 2: ao longo dos últimos 60 meses foram exatamente o consumo e os investimentos quem puxaram o crescimento econômico brasileiro para o seu patamar mais alto e virtuoso em décadas. Isso chegou ao fim.

As duas últimas colunas (Cavalo de pau e A nova onda da crise) receberam uma série de críticas a respeito de seu pessimismo. Infelizmente, ele foi confirmado agora com dados oficiais do órgão estatal encarregado de produzir estatísticas no Brasil.

Não se trata de torcida contra. Nem de "marolinha", como queria o presidente Lula.

Mas de encarar o fato de que estamos diante de uma crise de imensas proporções, com o conjunto das economias avançadas em recessão, os norte-americanos endividados como nunca e diante de incertezas econômicas jamais vistas pela atual geração.

Para evitar o colapso no Brasil, o governo terá de ser muito mais criativo e ousado do que tem sido até agora, atuando agressivamente no sentido de diminuir juros, dar incentivos imensos a investimentos e acelerar o empacado PAC. Além de parar de inchar o balofo Estado brasileiro que já nem cabe mais nos prédios públicos que tem.

A vida esteve muito fácil para o Brasil nos últimos cinco anos, com o crescimento interno embalado pelo externo, que se alimentou da farra de crédito mundial --origem da atual crise internacional sem precedentes.

Daqui para frente, nada será fácil para os falantes Lula, Guido Mantega e equipe.

A hora da verdade chegou.

Fernando Canzian, 42, é repórter especial da Folha. Foi secretário de Redação, editor de Brasil e do Painel e correspondente em Washington e Nova York. Ganhou um Prêmio Esso em 2006.Escreve às segundas-feiras.

E-mail: fcanzian@folhasp.com.br

Leia as colunas anteriores

FolhaShop

Digite produto
ou marca