Fernando Canzian
Crise 2.0
NOVA YORK - O tempo passa, o tempo voa. E quase sete meses correram desde a quebra do banco Lehman Brothers, em 15 de setembro. Foi o marco da radical piora do cenário econômico global.
A partir daquela data, a crise desceu a ladeira a uma velocidade vertiginosa, com uma sucessão de notícias negativas e surpreendentes. Em termos financeiros, nada de tão assustador e fascinante havia transcorrido diante da grande maioria até então. Foi terrível, mas foi um "show".
Mas, como sempre, essa fase vai ficando para trás.
Felizmente, e aparentemente, a deterioração já perdeu muito de sua velocidade. Ela ainda persiste, mas parece estar em "ponto morto", avançando sem a mesma aceleração. Como se a crise apenas continuasse descendo por um terreno íngreme, erodido pela explosão dos acontecimentos passados.
Mas, quando parar, esse carro da crise ainda vai levar tempo, muito tempo, para voltar a rodar.
Serão talvez anos até que todas as pessoas que perderam seus empregos (4,4 milhões nos EUA nesta recessão) voltem a ter uma oportunidade. Anos até que as milhões de lojas fechadas em todo o mundo, especialmente nos EUA, tenham demanda (e coragem) suficiente para reabrir e refazer pedidos a fornecedores.
Pesquisa entre os principais executivos dos EUA (de empresas com receitas totais de US$ 5 trilhões e 10 milhões de funcionários) nesta semana revelou que mais de dois terços ainda pretendem demitir e reduzir gastos nos próximos seis meses.
Mas a diferença entre hoje e há três meses é que não se falava só em demissão, mas na extinção completa de companhias. Como ocorreu com o próprio Lehman, com a gigante de eletrônicos Circuit City e com dezenas de outras, sem contar a combalida General Motors, ainda ameaçada.
Os valores do estrago da crise também parecem ter parado de crescer em projeções geométricas. Aos poucos, essa "precificação" vai sendo melhor ajustada.
Basicamente, dois pontos: o mundo encolherá cerca de 2% neste ano, um desastre; e os bancos ainda estão entupidos com cerca de US$ 4 trilhões em "ativos tóxicos" (que travam novos empréstimos), segundo nova estimativa do FMI (é torcer para que pare aí).
Mas essa ainda é uma crise que pode se alimentar continuamente em um ciclo vicioso: a falta de crédito inibe o consumo; as empresas vendem menos e demitem mais; as pessoas perdem salários e empregos e deixam de pagar suas dívidas; os bancos levam calote e emprestam cada vez menos.
E assim sucessivamente, com muitas variações sobre o mesmo tema.
Por isso, e sob qualquer aspecto, é surpreendente o fato de muitos (e a recente melhora das Bolsas reflete isso) estarem começando a se entusiasmar com uma recuperação bem menos dolorosa.
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Fernando Canzian, 42, é repórter especial da Folha. Foi secretário de Redação, editor de Brasil e do Painel e correspondente em Washington e Nova York. Ganhou um Prêmio Esso em 2006.Escreve às segundas-feiras.
E-mail: fcanzian@folhasp.com.br |


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Mas agora vivemos uma situação diferente, mas não menos perigosa, pois o Brasil está melhor em suas contas públicas que os países ricos, mas o problema é: como eles vão comprar nossos produtos se não tiverem dinheiro?
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O ESTADO DE S.PAULO- 20.12.09
Em 2008 e 2009, parte da crise ocorreu diante da incapacidade de muitos em pagar suas dívidas. Casas foram devolvidas e empresas foram fechadas em meio à falta de crédito. Para 2010, a eventualidade de uma falência nas contas públicas teria um impacto bem maior. Não por acaso, a agência Moody"s publicou um relatório no início da semana (14 A 20.12.09) com um título que chamou a atenção do mercado: "Apertem os Cintos - Tempos Tumultuados pela Frente".
JORNAL DA TARDE - 20.12.09
O problema é que quando as contas mais altas chegarem em janeiro, boa parte dos paulistanos estará mais endividada do que estava no início de 2009. Uma pesquisa da Federação do Comércio prevê que as vendas deste Natal sejam entre 10% e 12% maiores que as do Natal de 2008, com o agravante de que as compras a prazo também devem crescer na mesma proporção.
A combinação de aumento do consumo no Natal com um reajuste acima da inflação nas despesas de início de ano pode deixar o consumidor numa situação delicada.
O que devo fazer: acreditar e tomar cautela, ou confiar na midia especialmente televisiva ficando eufórico e tambem sair gastando? Alguem me ajude por favor.
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