Fernando Canzian
Muita calma nessa hora
DE NOVA YORK - Uma pergunta:
O que mudou desde setembro, quando o banco Lehman Brothers quebrou e os mercados financeiros internacionais tiveram o maior colapso desde os anos 1930? Muita coisa, e para pior.
Pelo menos mais de 2,5 milhões de pessoas perderam seus empregos nos EUA, além de outros milhões em dezenas de economias. Empresas fecharam, outros milhões ficaram sem suas casas, o nível de atividade encolheu e, acima de tudo, a humanidade ficou mais pobre.
E mais previdente. O que já se reflete, por exemplo, na taxa de poupança dos norte-americanos, que vem crescendo rapidamente diante do cenário de mais desemprego e incertezas. Mais poupança significa menos gastos.
Já os bancos, continuam na mesma: entupidos com os ativos tóxicos que originalmente detonaram essa crise. Eles continuam lá, no mesmo lugar, segurando o mercado de crédito.
Só o gigante Bank of America vai precisar de mais US$ 35 bilhões no curto prazo para continuar viável, sendo que o banco já recebeu US$ 45 bilhões em capital do Tesouro dos EUA.
Um exemplo das consequências reais disso:
Companhias gigantescas nos EUA como Hewlett-Packard e Verizon antes conseguiam linhas de crédito de mais de US$ 5 bilhões por quase três anos seguidos e com juros de 0,2% sobre a taxa Libor (que serve de parâmetro internacional). Agora, estão sendo obrigadas a tomar valores iguais por apenas 365 dias e pagando até 2% sobre a Libor.
Isso significa mais custo, incertezas e aperto.
Claro que houve também algumas notícias positivas, mas todas provocadas artificialmente: os governos lançaram pacotes trilionários de estímulo, baixaram juros ao nível do chão e estão injetando liquidez como nunca na economia internacional para aliviar corretamente os efeitos da crise.
Mas não parece razoável ou sustentável a atual euforia dos mercados financeiros, que já ensaiam uma recuperação se não ao nível pré-crise, na direção dele. Aliás, é bom frisar, muitos dos resultados menos ruins do que os esperados em várias empresas só ocorreram porque elas cortaram custos (pessoal e produção), e não porque os negócios melhoraram.
O preço da ação de uma empresa reflete nada menos do que a expectativa de ganho dessa mesma empresa. Se ela tiver um futuro promissor, o preço vai subir. Caso contrário, cai. O que os mercados estão nos dizendo agora é que o futuro é promissor, e que está ficando cada vez mais promissor.
Quando os mercados subiam rapidamente, a expectativa era de um planeta crescendo entre 2% e 3% ao ano. Agora, estamos falando de um encolhimento da mesma magnitude.
Obviamente, um dia sairemos da atual crise, mas não tão rápido.
Todos esses milhões que perderam seus empregos (e que gastavam mais fartamente antes da crise) terão de voltar a encontrar trabalho. As milhares de lojas que fecharam terão de reabrir para fazer pedidos às fábricas. Os que perderam suas casas, terão de encontrar outros meios, e por aí vai.
É ótimo que o humor esteja mudando.
Mas, nessas horas, excesso de otimismo pode ser potencialmente muito triste.
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Fernando Canzian, 42, é repórter especial da Folha. Foi secretário de Redação, editor de Brasil e do Painel e correspondente em Washington e Nova York. Ganhou um Prêmio Esso em 2006.Escreve às segundas-feiras.
E-mail: fcanzian@folhasp.com.br |


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Mas agora vivemos uma situação diferente, mas não menos perigosa, pois o Brasil está melhor em suas contas públicas que os países ricos, mas o problema é: como eles vão comprar nossos produtos se não tiverem dinheiro?
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O ESTADO DE S.PAULO- 20.12.09
Em 2008 e 2009, parte da crise ocorreu diante da incapacidade de muitos em pagar suas dívidas. Casas foram devolvidas e empresas foram fechadas em meio à falta de crédito. Para 2010, a eventualidade de uma falência nas contas públicas teria um impacto bem maior. Não por acaso, a agência Moody"s publicou um relatório no início da semana (14 A 20.12.09) com um título que chamou a atenção do mercado: "Apertem os Cintos - Tempos Tumultuados pela Frente".
JORNAL DA TARDE - 20.12.09
O problema é que quando as contas mais altas chegarem em janeiro, boa parte dos paulistanos estará mais endividada do que estava no início de 2009. Uma pesquisa da Federação do Comércio prevê que as vendas deste Natal sejam entre 10% e 12% maiores que as do Natal de 2008, com o agravante de que as compras a prazo também devem crescer na mesma proporção.
A combinação de aumento do consumo no Natal com um reajuste acima da inflação nas despesas de início de ano pode deixar o consumidor numa situação delicada.
O que devo fazer: acreditar e tomar cautela, ou confiar na midia especialmente televisiva ficando eufórico e tambem sair gastando? Alguem me ajude por favor.
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