Pensata

Fernando Canzian

01/06/2009

Government Motors e Citipovo

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DE NOVA YORK

Dois dos maiores ícones do capitalismo norte-americano são hoje empresas controladas pelo Estado.

Com o anuncio da concordata da General Motors na manhã desta segunda-feira, o governo norte-americano terá, no mínimo, uma fatia de mais de 57% na montadora quando os credores exercerem as garantias de compra de participações oferecidas nas negociações preliminares.

Como parte do programa de ajuda aos bancos virtualmente falidos no país, o Estado também já detém cerca de 35% do Citigroup.

Há um par de anos, GM e Citigroup eram líderes em suas áreas nos EUA e os maiores representantes do poderio corporativo norte-americano.

Hoje, pertencem ao governo. São administrados em grande medida pelo Estado e financiados com o dinheiro do contribuinte norte-americano. É o fim de uma era, certamente.

Aparentemente, o governo dos EUA não tinha outra saída a não se a estatização envergonhada das duas empresas. Não diz abertamente que manda nelas e que escolhe na prática seus diretores. E que dita as políticas. Mas é exatamente isso o que ocorre.

A estatização da GM e do Citigroup também coloca o governo do presidente Barack Obama na delicada situação de ter de mostrar que é um eficiente administrador. Será?

Dificilmente as duas empresas vão adquirir musculatura, especialmente em um quadro de profunda recessão como o atual, para se tornarem viáveis e lucrativas a ponto de novamente atrair a cobiça do setor privado.

Na sexta-feira, por exemplo, as ações da GM caíram a US$ 0,71, o menor patamar desde que começaram a ser listadas na Bolsa de Valores de Nova York, em 1916. As ações do Citi também experimentaram algo semelhante há algumas semanas.

Os preços da ações de GM e Citi refletem exatamente o que eventuais investidores acham que as duas empresas valem. Quase nada. E apontam também para uma expectativa de lucratividade futura extremamente baixa. É exatamente isso o que o preço de uma ação representa.

Não importa quanto dinheiro e por quanto tempo o governo norte-americano continuará financiando os dois ex-maiores medalhões do capitalismo norte-americano.

No sistema que os EUA reverenciam, elas não valerão nada se não derem lucros.

Fernando Canzian, 42, é repórter especial da Folha. Foi secretário de Redação, editor de Brasil e do Painel e correspondente em Washington e Nova York. Ganhou um Prêmio Esso em 2006.Escreve às segundas-feiras.

E-mail: fcanzian@folhasp.com.br

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Comentários dos leitores
Richard Adams (16) 12/11/2009 12h08
Richard Adams (16) 12/11/2009 12h08
Srs., este forum, ou mesmo qualquer outro, serve para se expresar opiniões e não para se tentar exorcisar os outros, numa discussão para se ver quem tem razão.
O fato é que FHC deu contribuições enormes para o Brasil e deixou muita coisa nos trilhos para que o LULA viesse e colocasse a cereja no bolo. Muitas das realizações do LULA se deram porque o mundo todo vinha numa tocada forte. Nosso sistma bancário não foi criado nem fortalecido pelo LULA, e só por isso não embarcamos na onda mundial com força.
O Brasil, precisa sim, adotar uma postura mais humilde. Estamos vivendo uma sem justificativa em alguns setores que não tem razão. O lucro das nossa empresas não está refletindo a alta na bolsa na mesma proporção. O Brasil está bem, mas precisa de cautela. Muita cautela.
A coisa mais sensata que lí até agora aqui, foi chamar atenção para nossa dívida interna. Este governo está gastando horrores!!!! Olhar as reservas cambiais e se gabar disso é sim um erro grotesco e não precisa ser nenhum catedrático matemático. Minhas filhas em fase de alfabetização fariam esta conta.
Vamos deixar essa disputa de que LULA é melhor que FHC, ou que PT é melhor do que outros...ninguém é melhor do que ninguém...todo mundo erra e todo mundo acerta....nunca na história deste País houve um Presidente perfeito e nem vai existir. São todos parte de um sistema político falido, cheio de conchavos, negociatas e cocitas que estamos cansados de ver todos os dias nos noticiarios.
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Zeno E. S. Munhoz (1) 12/11/2009 11h19
Zeno E. S. Munhoz (1) 12/11/2009 11h19
O câmbio brasileiro fugiu do parâmetro neutro segundo o ministro e já causa problemas na economia, diminuindo radicalmente o setor de exportações e aumentando na mesma proporção as importações. No curto prazo se continuar a política de câmbio flutuante já serão afetadas todas as contas nacionais. O câmbio deve ser pelo equilíbrio da economia e não como uma biruta a sabor dos fluxos de capitais do mercado internacional e nacional. Defasagem de 50 % significa que o desequilíbrio afeta ou expõe negativamente metade da economia nacional.
O governo deve equilibrar a economia levando em consideração os players maiores da economia mundial ou seja China e EUA e formular a sua estratégia. Uma desvalorização da moeda aos níveis adequados com cambio fixo temporarimente é a proposta. Quem teme câmbio fixo? O mal já está instalado.
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Marilia Cunha (2) 12/11/2009 09h40
Marilia Cunha (2) 12/11/2009 09h40
"O problema do Lula é pura falta de cultura."
Meu amigo, que frase mais infeliz, provavelmente ele fez mais do que voce faria tendo muito mais "cultura" do que ele.
Meu querido Cássio Távares, Desinformado é Vc que diz que bolsa família só ajuda politicos e que Lula não fez nada pela educação. Meu bem, como assim?Graças a esse governo, eu estou fazendo uma faculdade que antes eu urrava para pagar, já tranquei diversas vezes a mesma porque com um salário mínimo eu pagava a faculdade, tendo que morar com meus pais, ficar sem dinheiro o mês inteiro. Isso foi no governo do FHC. E agora eu sou professora, e digo o sistema escolar, todos os projetos pedagógicos que temos agora, com o governo lula, melhoraram bastante a rede de ensino, os salários estão melhores, não estão 100% mas estão melhores.Você por acaso conhece pessoalmente algum beneficiário do bolsa família? pois é, eu conheço, muitos, pois além de serem a maioria, pais dos meus alunos, eu vivo fazendo projetos sociais e para isso faço pesquisa e levantamentos de dados.
Me faça um favor, antes de vir aqui falar algo que você não sabe por estar preso na sua classe mérdia, digo, média, saia um pouco, vá conversar com os pobres assalariados, diga-lhes que o bolsa família só beneficia os proprios políticos, pra ver o que eles vão te dizer.
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