Fernando Canzian
Government Motors e Citipovo
DE NOVA YORK
Dois dos maiores ícones do capitalismo norte-americano são hoje empresas controladas pelo Estado.
Com o anuncio da concordata da General Motors na manhã desta segunda-feira, o governo norte-americano terá, no mínimo, uma fatia de mais de 57% na montadora quando os credores exercerem as garantias de compra de participações oferecidas nas negociações preliminares.
Como parte do programa de ajuda aos bancos virtualmente falidos no país, o Estado também já detém cerca de 35% do Citigroup.
Há um par de anos, GM e Citigroup eram líderes em suas áreas nos EUA e os maiores representantes do poderio corporativo norte-americano.
Hoje, pertencem ao governo. São administrados em grande medida pelo Estado e financiados com o dinheiro do contribuinte norte-americano. É o fim de uma era, certamente.
Aparentemente, o governo dos EUA não tinha outra saída a não se a estatização envergonhada das duas empresas. Não diz abertamente que manda nelas e que escolhe na prática seus diretores. E que dita as políticas. Mas é exatamente isso o que ocorre.
A estatização da GM e do Citigroup também coloca o governo do presidente Barack Obama na delicada situação de ter de mostrar que é um eficiente administrador. Será?
Dificilmente as duas empresas vão adquirir musculatura, especialmente em um quadro de profunda recessão como o atual, para se tornarem viáveis e lucrativas a ponto de novamente atrair a cobiça do setor privado.
Na sexta-feira, por exemplo, as ações da GM caíram a US$ 0,71, o menor patamar desde que começaram a ser listadas na Bolsa de Valores de Nova York, em 1916. As ações do Citi também experimentaram algo semelhante há algumas semanas.
Os preços da ações de GM e Citi refletem exatamente o que eventuais investidores acham que as duas empresas valem. Quase nada. E apontam também para uma expectativa de lucratividade futura extremamente baixa. É exatamente isso o que o preço de uma ação representa.
Não importa quanto dinheiro e por quanto tempo o governo norte-americano continuará financiando os dois ex-maiores medalhões do capitalismo norte-americano.
No sistema que os EUA reverenciam, elas não valerão nada se não derem lucros.
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Fernando Canzian, 42, é repórter especial da Folha. Foi secretário de Redação, editor de Brasil e do Painel e correspondente em Washington e Nova York. Ganhou um Prêmio Esso em 2006.Escreve às segundas-feiras.
E-mail: fcanzian@folhasp.com.br |

O que se pode ver ao longo dos anos em Dubai é o resultado da visão futurista da localidade que possui 2% das reservas de gás do bloco de sete países que formam o EAU (Emirados Árabes Unidos), diante a estimativa de que suas reservas de petróleo tendem a uma diminuição significativa, alcançando completo esgotamento num prazo de até duas décadas. Sua economia migrou daquela baseada no comércio e dependente do petróleo, para aquela baseada nos serviços e orientada para o turismo o que fez com que o setor imobiliário alcançasse um patamar extraordinariamente valioso e se tornasse "a menina dos olhos" de grandes investidores internacionais, mas que, em virtude da crise econômica mundial provocada pelos EUA, vem amargando recessão entre 2008 e 2009. Tomando-se como ponto de partida o ano de 2005, o PIB era de US$ 37 bilhões onde as receitas originadas do petróleo e gás natural representavam menos de 6%, em fevereiro de 2009 chegou a uma dívida externa estimada em aproximadamente 100 bilhões, o que equivale dizer que para cada um dos cerca de 250.000 cidadãos do emirado cabe 400 mil dólares em dívida externa.
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Os setores, imobiliário e de construção, comércio, entreposto aduaneiro e serviços financeiros, juntos, contribuem com algo em torno de 65% a 70% de sua economia. Para que se tenha uma idéia, para quem até meados do século passado não passava de um pequeno entreposto comercial, e devido a sua localização marítima, vivia da pesca e coleta de pérolas, até que se instalasse a crise mundial, com um território 2200 vezes menor que o do Brasil, recebia cerca de 6,5 milhões de turistas ao ano, com uma taxa de ocupação média dos hotéis em torno 85% enquanto que no Brasil, algo em torno 64%. Há de se notar que enquanto ao final do ano passado, no apogeu da crise, muito de falava no Capítulo 11 que trata da falência das empresas norte americanas, e que nos dias de hoje o FDIC (órgão que garante os depósitos bancários nos EUA) vem demonstrando preocupação com o crescente número de instituições financeiras problemáticas no país diante o fato de que em setembro deste ano, 552 bancos relataram dificuldades, espelhando um aumento de 33% sobre os 416 relatados no segundo trimestre, em Dubai passados cerca de 12 meses, fala-se de uma moratória por prazo de seis meses.
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A meu ver, Folker Hellmeyer, economista-chefe do banco Bremer Landesbank demonstra profundo conhecimento e bom senso quando diz que "Os problemas atuais se referem à falta de liquidez momentânea de alguns megaprojetos, e não à confiança em geral na potência econômica dos emirados". Devido ao seu perfil econômico é bastante natural que o emirado sentisse os reflexos da crise devido à falta de liquidez. Há um grande número de empresas de porte internacional do mundo todo operando em Dubai. Entre as intituições financeiras, por exemplo, encontram-se o Citi Bank que amargou perdas terríveis com a crise nos EUA e teve que ser socorrido pelo governo norte americano. Além dele, outros como o ABN-Amro Bank, Deutsche Bank AG, MGM Mirage, Royal Bank of Scotland Group plc, HSBC Holdings plc, etc
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