Gilberto Dimenstein
Quem vai salvar São Paulo?
Entre motos e automóveis, a cidade de São Paulo ganha, por ano, 317.550 novos veículos, segundo reportagem do jornal o "Estado de S.Paulo". São mais de 820 por dia. Esse ritmo está levando alguns especialistas a perguntar se, por causa do aumento contínuo, a cidade não será, em futuro breve, uma nova Vila Parisi, a área conhecida como Vale da Morte, em Cubatão.
Essa é uma das reflexões nesta semana que se comemora o Dia Sem Carro, desta vez como parte de uma mobilização comunitária.
Com a redução dos preços dos automóveis, maior acesso ao crédito e queda dos juros, São Paulo, que já tem cadastrados mais de cinco milhões de carros --sem contar os veículos que vêm dos municípios vizinhos--, corre o risco de tornar sua mobilidade cada vez mais insuportável, não só prejudicando a saúde e a qualidade de vida, mas afastando investimentos. Técnicos estão prevendo o apagão do trânsito.
Por medo de perder votos, os políticos locais se recusam a falar em pedágio urbano e até mesmo na ampliação do rodízio. O pedágio vem se mostrando, em todo o mundo, como uma saída para tirar os carros da ruas e financiar o transporte público.
Alguém (e não há ninguém, por enquanto, à vista) terá de ser corajoso o suficiente (e pensar na cidade acima de sua eleição) para enfrentar esse apagão, limitando a circulação de automóveis. Vai apanhar muito, mas, certamente, estará entre os estadistas paulistanos.
É apenas uma questão de tempo. O rodízio teve impacto negativo quando foi criado, mas hoje só um doido seria capaz de eliminá-lo.
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Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras. E-mail: palavradoleitor@uol.com.br |
