Gilberto Dimenstein
O aborto do governador
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, voltou a provocar polêmica ao vincular o crime ao excesso de fertilidade materna nas comunidades mais pobres. Foi chamado de preconceituoso. Mas a verdade é que, em parte, ele está certo. Aliás, é óbvio que está certo.
Alta fertilidade não significa necessariamente mais crime. Mas uma jovem repleta de filhos, vivendo numa comunidade desestruturada, violenta, com baixa perspectiva educacional e de trabalho para jovens é mais um, entre tantos, fatores de risco. Crianças descuidadas, sem atenção, sem acolhimento familiar, são candidatas a marginais. Por trás de todo o criminoso, há uma história de desestrutura familiar.
O maior problema do crime não é o número de filhos por mulher, mas certamente é um dos agravantes. O problema mesmo é a falta de perspectiva aos jovens combinada com a ineficiência policial.
![]() |
Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras. E-mail: palavradoleitor@uol.com.br |
