Pensata

Gilberto Dimenstein

25/10/2007

O aborto do governador

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, voltou a provocar polêmica ao vincular o crime ao excesso de fertilidade materna nas comunidades mais pobres. Foi chamado de preconceituoso. Mas a verdade é que, em parte, ele está certo. Aliás, é óbvio que está certo.

Alta fertilidade não significa necessariamente mais crime. Mas uma jovem repleta de filhos, vivendo numa comunidade desestruturada, violenta, com baixa perspectiva educacional e de trabalho para jovens é mais um, entre tantos, fatores de risco. Crianças descuidadas, sem atenção, sem acolhimento familiar, são candidatas a marginais. Por trás de todo o criminoso, há uma história de desestrutura familiar.

O maior problema do crime não é o número de filhos por mulher, mas certamente é um dos agravantes. O problema mesmo é a falta de perspectiva aos jovens combinada com a ineficiência policial.

Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.

E-mail: palavradoleitor@uol.com.br

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