Pensata

Gilberto Dimenstein

25/11/2007

É muito pior do que eu pensava

Tenho divulgado aqui estudos mostrando o que considero a maior imbecilidade brasileira: o grande número de estudantes que, por sofrerem de problemas simples de saúde (problemas de visão e audição, por exemplo), têm dificuldades de aprendizado e, assim, são condenados à marginalidade. Acaba de sair um relatório que deveria deixar em pânico, sem exagero, o presidente, governadores e prefeitos.

O relatório é feito pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) a partir de 11.381 exames médicos realizado em escolas públicas da cidade de São Paulo. É a mais abrangente investigação já feita na área da saúde escolar e serve como retrato do que acontece em todo o país. Encontraram doenças em 70% daquela amostra, necessitando atendimento de cardiologistas, fonoaudiólogos, oftalmologistas, entre outros.

Detectaram casos graves que necessitavam cirurgias com urgências --casos como de meninos cujo testículo não desce para o saco escrotal. Detectaram também estudantes com visíveis transtornos de comportamento ou com distúrbios flagrantes de aprendizado.

Apesar disso, as equipes da Universidade Federal de São Paulo notaram a falta de pediatras em postos de saúde, dificultando o encaminhamento.

Fôssemos uma nação civilizada em que se valorizasse o capital humano, o relatório iria provocar escândalo em toda a nação. Quantas coisas podem ser mais absurdas do que crianças que não aprendem pela falta de óculos ou porque não ouvem direito?

Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.

E-mail: palavradoleitor@uol.com.br

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