Gilberto Dimenstein
A descoberta do pior apagão
2007 entra para a história como o ano em que descobrimos o pior de nossos apagões: o apagão dos trabalhadores. É uma terrível e maravilhosa descoberta. Maravilhosa porque, ao contrário dos anos de baixa, os empresários precisam encontrar mão-de-obra qualificada e remunerá-la melhor. Terrível porque mostra uma das maiores incompetência brasileiras: ser um país de alto desemprego, mas incapaz de preencher vagas.
Vimos, em detalhe, como o capital humano significa mais empregos e renda, ou seja, menos miséria, e como pagamos um preço alto pelo descuido com a formação dos brasileiros. Todos perceberam, com clareza, que, se quisermos crescer, teremos de ser mais sérios com a educação pública.
A nota positiva é que nunca se falou tanto do apagão de professores para o ensino médio. E também nunca se falou da necessidade de ampliar cursos técnicos. A rapidez com que enfrentaremos essas carências será a melhor medida da seriedade de todo um país com seus cidadãos.
Até os mais tapados já estão percebendo que a falta de mentes é tão grave como a falta de energia.
![]() |
Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras. E-mail: palavradoleitor@uol.com.br |
