Pensata

Gilberto Dimenstein

27/06/2008

O risco de um "cindicato"

O prosseguimento da greve dos professores em São Paulo aumentou ainda mais o risco de desmoralização do seu sindicato. Isso pelo simples motivo de a greve ter sido decretada na defesa de algo indefensável --na prática, estão defendendo a alta rotatividade dos professores em escola pública. Se uma fosse uma greve por melhores salários, tudo bem, os salários estão mesmo defasados.

O decreto do governo pede, em essência, que os professores fiquem pelo menos um ano na escola antes de mudarem para outra escola. Apenas um ano --o que já seria pouco. Afinal, não se fazem boas escolas com muita mudança de professor, impedindo a formação de uma equipe.

Pergunte a qualquer educador sério, qualquer um, e ele vai dizer a mesma coisa: a alta rotatividade é uma das causas da baixa qualidade de ensino.

A sorte do sindicato é que essa é uma conversa infelizmente distante da população, sem envolvimento dos pais e alunos, os maiores interessados. Se eles debocham, e com razão, que em um texto da secretaria da Educação estava escrito "encino" com "c", eles estão quase escrevendo "cindicato".

O drama dos professores, vítimas da violência, dos baixos salários, das salas superlotadas, deveria ser tratado com mais respeito.

Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.

E-mail: palavradoleitor@uol.com.br

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