Pensata

Gilberto Dimenstein

14/07/2008

Vitórias contra a barbárie

O país acompanha atentamente a redução de mortes no trânsito, depois do endurecimento da fiscalização contra os motoristas que bebem --esse é mais um detalhe de um movimento, espalhado por todo país, acima dos partidos, contra as mortes estúpidas. São vitórias contra a barbárie de toda uma geração de pessoas que apostaram na educação para a cidadania.

Nada mais estúpidas do que as mortes, quase todas facilmente evitáveis, de crianças. Poucas notícias são socialmente tão interessantes quanto a queda de 44% da mortalidade infantil nos últimos dez anos. Nesse período, a desnutrição infantil caiu, no Nordeste, 70%.

Aos poucos, a democracia vai ensinando o país a enfrentar a violência --lembre-se de toda a campanha contra o porte de armas-- e a miséria, com programas mais focados nos mais pobres. Já temos também metas educacionais de longo prazo. Cada vez mais, imagina-se a escola como um grande centro de articulação de políticas públicas.

As vitórias, medidas em números, contra a barbárie é um dos fatos novos no país, no qual vamos gerando modelos contra a barbárie. É ainda pouco, mas já podemos, aqui e ali, comemorar.

*

É imprescindível o modelo de gestão de Apucarana, no Paraná, fazendo da escola o eixo articulador. Lá, os níveis de educação estão acelerando rapidamente, devido ao cruzamento, em torno da educação, das mais diferentes políticas públicas. É mais um dos exemplos de gestão que se vão espalhando pelo país, mostrando como fazer muito como pouco. A experiência está detalhada em meu site (www.dimenstein.com.br)

Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.

E-mail: palavradoleitor@uol.com.br

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