Pensata

Gilberto Dimenstein

04/08/2008

Escola do cérebro

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Miguel Nicolelis virou uma estrela mundial das neurociências e entrou na lista de eventuais candidatos ao prêmio Nobel ao fazer, nos Estados Unidos, onde mora, um macaco movimentar apenas com o cérebro um computador. A aplicação disso pode ser vista num laboratório que ele criou, no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para implantação de chips no cérebro de vítimas de paralisia --o detalhamento está no www.dimenstein.com.br.

Apesar da agenda carregada e cheia de viagens internacionais, uma das preocupações de Nicolelis é ajudar a escola pública em que estudou na cidade de São Paulo. Esse é daqueles pequenos grandes gestos que se prestam de exemplo.

Sua idéia é criar naquela escola pública (Napoleão de Carvalho) um centro experimental para ajudar as crianças a aprenderem ciências e servir de espaço para que os pedagogos em geral conheçam as novas descobertas das neurociências --coisa que nem remotamente aparece nas faculdades que formam professores.

Batizado com o nome provisório de "Escola do Cérebro", a proposta de Nicolelis mostra que para ser grande é, muita vezes, necessário pensar pequeno --ou seja, fazer a diferença do que está ao lado.

Se as melhores cabeças de uma nação começarem a se envolver na educação pública, ganharemos rapidamente mais cérebros. Como mostram os estudos de neurociências, ensinar é algo complexo demais para ficar apenas na mão de pedagogos.

Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.

E-mail: palavradoleitor@uol.com.br

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