Gilberto Dimenstein
Os CEUs, o marketing e a ignorância
Gosto da idéia do CEU, por transformar uma escola num pólo de desenvolvimento comunitário. Marta Suplicy entra na história da inclusão social paulistana por levar esse tipo de equipamento para a prefeitura --uma obra ampliada por seu sucessor Gilberto Kassab e apoiada por Geraldo Alckmin. Virou consenso. Mas há, em toda essa adesão, uma ignorância óbvia --e daí se vê a dificuldade de aprofundar questões técnicas num debate eleitoral.
O conceito do CEU é irretocável ao transformar a escola num centro de convivência também para as escolas do entorno para que se beneficiem de programas de artes, esportes e cultura --e agora todos falam em fazer dali um espaço de ensino profissionalizante.
O problema é que se valoriza mais, muito mais, o prédio e não o que sai dele. É surpreendente (e daí a ignorância) que quase ninguém se incomode com as notas dos alunos que estão nos CEUs, menores do que a média escolar das escolas municipais --e, às vezes, menor do que de escolas de três turnos.
É algo parecido a um hospital bonito, mas que não cura direito. A qualificação do debate educacional é os pais saberem (e cobrarem) como e se os filhos aprendem. É mais fácil, porém, impressionar os eleitores com obras do que com formação de professor --sem isso, como se vê nos CEUs, pouco funciona e vira um clube.
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Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras. E-mail: palavradoleitor@uol.com.br |
