Pensata

Gilberto Dimenstein

29/09/2008

As antenas de Marta são um desperdício?

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Não sei avaliar tecnicamente a viabilidade da proposta de Marta Suplicy de disseminar a internet gratuita. Meu primeiro impulso é apreciar a idéia, mesmo sabendo que em ano eleitoral os candidatos têm a imaginação mais fértil. Não se pode, hoje, pensar em inclusão social sem a inclusão digital --é uma interessante visão de futuro imaginar uma cidade onde todos possam se conectar.

O que me incomoda, porém, é o risco de desperdício. Isso porque tenho visitado inúmeras escolas públicas, onde os laboratórios de informática estão fechados --ou não são bem utilizados. Faltam monitores e professores capazes de transformar as máquinas em aprendizado, Aliás, as escolas muitas vezes nem sabem usar suas bibliotecas. Isso ocorre tanto em escolas estaduais como municipais.

Falei aqui de uma experiência em que estou participando, conduzida jornalistas recém-formados. Eles montaram um mapa digital do que existe de graça ou a preços populares em cultura e educação na cidade de São Paulo. Se você entrar no site (www.catracalivre.com.br) verá o número impressionante de opções, a maioria delas pouco usadas por estudantes. Como é um projeto colaborativo, propagam-se as dicas em cascata.

Por isso, gostei muito da promessa da ex-prefeita de criar um sistema de transporte para que os alunos aproveitem toda a riqueza cultural disponível, a começar dos CEUs. É uma percepção correta e contemporânea de que a cidade deve ser um espaço educador --aí, sim, eu vejo uma ação inovadora e viável.

Assim como considero inovadoras e viáveis a transformação dos clubes da prefeituras em extensão da escola (Clube-Escola), implementada por Gilberto Kassab. Ou reunir as famílias nos finais de semana na escola, com complementação educacional, um programa impulsionado por Alckmin em sua gestão. Ou seja, usa-se melhor o que existe, buscando as mais diferentes conexões.

Estou convencido de que a melhor forma de conectar a cidade num projeto digital, neste momento, é usar melhor o que já temos --as bibliotecas, os telecentros e os laboratórios de informática das escolas e centros culturais. Assim, o investimento vai para quem, de fato, precisa: os mais pobres.

*

PS: Se quiser participar da experiência do Catraca Livre e, assim, ajudar a transformar a cidade numa escola sem nenhum custo, mande seu e-mail para catracalivre@catralivre.com.br

Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.

E-mail: palavradoleitor@uol.com.br

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Comentários dos leitores
M Mig (647) 27/10/2008 12h26
M Mig (647) 27/10/2008 12h26
Tem gente que aionda tem o complexo adolecente de elite x classes menos favorecidas...
Quando será que essas pessoas vão colocar os pés no chão e tirar a cabeça das nuvens.
Gabeira só não ganhou por que Paes teve apoio dos evangélicos do Crivella.... Simples assim...
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M Mig (647) 27/10/2008 11h51
M Mig (647) 27/10/2008 11h51
Parabéns a cidade de São Paulo pela escolha do prefeito Kassab e principalmente pelo repúdio à candidata petista Marta Suplicy, a má administração e ao nefasto uso dos recursos públicos que ela representa. 6 opiniões
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Antonio Carlos Carvalho (8) 27/10/2008 10h46
Antonio Carlos Carvalho (8) 27/10/2008 10h46
Apenas para lembrar: o Gabeira foi o candidato da elite!!!! 4 opiniões
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