Pensata

Gilberto Dimenstein

07/10/2008

O único problema de Marta

As pessoas se perguntam por que, mesmo depois do explícito apoio de Lula, Marta Suplicy perdeu votos. A resposta está com clareza em dados coletados pelo Datafolha, para orientar a precisão de suas amostragem --e aí está o único (e grande) problema de Marta Suplicy nesse segundo turno.

Seu problema é que São Paulo é uma cidade de classe média; daí que o discurso de identificação com os pobres não tem tanto efeito.

Vejamos os dados do Datafolha: 55% dos paulistanos são da classe C; 34%, A/B. E apenas 11%, são das classes D/E. Temos, então, cerca de 89% que se sentem ou efetivamente são classe média.

As chances de Marta Suplicy de voltar a liderança estão menos na destruição da imagem de Kassab --uma estratégia que, por enquanto, não funcionou no primeiro turno-- e mais em sua habilidade de convencer o eleitorado que seu projeto é benéfico para a classe média.

Considero aceitável a argumentação de que reduzir a pobreza interessa a todos, inclusive os ricos, que viverão com menos insegurança. Teremos três semanas para saber se ela conseguiu atrair as simpatias da classe média --isso enquanto Kassab vai tentar aprofundar suas conexões com os bairros mais pobres.

Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.

E-mail: palavradoleitor@uol.com.br

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