Pensata

Gilberto Dimenstein

15/11/2008

Obama e a ex-futura prostituta de Brasília

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Barack Obama está sendo pressionado a matricular suas duas filhas numa escola pública de Washington --talvez seja mais fácil um negro se eleger presidente do que ele aceitar essa pressão. Afinal, as escolas públicas daquela cidade são conhecidas pelo péssimo desempenho, violência, drogas, especialmente entre os negros.

O que me intriga nesse debate é o fato de que a capital da nação mais poderosa do mundo tem dificuldade de lidar com a violência de seus alunos --e daí se vê a dificuldade que temos e vamos continuar tendo no Brasil, onde não dispomos, nem remotamente, de tantos recursos.

Por isso, recomendo a leitura de um livro chamado "A Pedagogia do Cuidado", do educador Celso Antunes, que está sendo lançado nesta semana, sobre a experiência da Casa do Zezinho, que fica no chamado "triângulo da morte" de São Paulo. São relatos de casos de educação contra a barbárie, fazendo com que os jovens se expressem e se encantem pelo conhecimento.

Um exemplo é a de uma menina que se prostituía na favela. Num truque pedagógico, Dagmar Garroux ofereceu-lhe então um treino para ser prostituta com muito dinheiro, preparada para trabalhar em Brasília. Isso implicou estudar mais e cuidar do corpo para valorizar a "mercadoria". A menina fez ensino médio, entrou num curso pré-vestibular, passou na USP e se formou em odontologia.

O caso, que está detalhado no www.catracalivre.com.br, mostra que não basta dinheiro para enfrentar a violência. É preciso oferecer espaço de sonho --por isso, a ex-futura-prostituta de Brasília virou dentista. E também um negro órfão, criado por uma avó, se tornou presidente.

Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.

E-mail: palavradoleitor@uol.com.br

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Comentários dos leitores
eduardo de souza (540) 23/12/2009 16h09
eduardo de souza (540) 23/12/2009 16h09
Enquanto o planeta morre, "os matadores da vida" vão aprovando bilhões em financiamento de guerras.
Seus imbecís, a TERRA é mais forte que suas intenções. A única coisa que irá morrer somos nós, os humanos. Um dia desses iremos "isolá-los" e aí a conversa será na nossa lingua.
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Marcelo Moreto (211) 23/12/2009 15h16
Marcelo Moreto (211) 23/12/2009 15h16
Os países que já desenvolveram suas armas nucleares se julgam donos da verdade. É obvio que os países atrasados na evolução ou emergentes com o passar do tempo irão dominar as tecnologias hoje importadas dos desenvolvidos. O que há de errado em emergentes se desenvolverem?
Aqueles que já dominam ameaças como a energia nuclear irão abrir mão dela para que os outros não iniciem seus projetos? Não, então devem permanecer calados pois os grandes problemas e guerras partem das armas de destruição em massa que os ricos produzem. Chega de hipocrisia, já que é para destruir o planeta, que todos possam faze-lo sem oportunistas chantageando e blasfemando.
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jucelino kopeski (236) 22/12/2009 21h27
jucelino kopeski (236) 22/12/2009 21h27
Feliz Natal Antonio Gonçalves!
Não conte para os gringos como é o Brasil se não eles vão todos querer vir morar aqui,vamos ter um problema de imigração ,primeiro vão invadir Valadares,Goiania, em seguida todo o Pais.
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