Gilberto Dimenstein
O pré-sal é pré-eleitoral
Vou logo dizendo que não entendo nada de prospecção de petróleo. Sou, como a imensa maioria dos eleitores, um leigo. Mas não precisa ser geólogo para ver que o anúncio do pré-sal é uma prospecção pré-eleitoral, como se a questão fosse entre os vendidos aos interesses estrangeiros e os defensores das riquezas nacionais --o que é obviamente uma exploração. Existe aqui uma questão educativa.
O que qualquer um pode saber, sem entender nada de petróleo, é a complexidade da questão, com as mais diversas opiniões e análises, como vemos pelos jornais. Quanto mais aumenta o debate, maior o número de opiniões.
Por que, então, aprovar o marco regulatório do pré-sal rapidamente no Congresso, como quer o governo Lula? Será que uma questão tão delicada e vital não deveria envolver maior esclarecimento da opinião pública, capaz de influenciar os parlamentares? Obviamente não.
Um erro agora será pago por muito tempo --e com muito dinheiro.
O problema é que, em política, as prospecções em período eleitoral são tão profundas a distância que separa o palanque da terra.
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Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras. E-mail: palavradoleitor@uol.com.br |

