Pensata

Gilberto Dimenstein

01/09/2009

O pré-sal é pré-eleitoral

Vou logo dizendo que não entendo nada de prospecção de petróleo. Sou, como a imensa maioria dos eleitores, um leigo. Mas não precisa ser geólogo para ver que o anúncio do pré-sal é uma prospecção pré-eleitoral, como se a questão fosse entre os vendidos aos interesses estrangeiros e os defensores das riquezas nacionais --o que é obviamente uma exploração. Existe aqui uma questão educativa.

O que qualquer um pode saber, sem entender nada de petróleo, é a complexidade da questão, com as mais diversas opiniões e análises, como vemos pelos jornais. Quanto mais aumenta o debate, maior o número de opiniões.

Por que, então, aprovar o marco regulatório do pré-sal rapidamente no Congresso, como quer o governo Lula? Será que uma questão tão delicada e vital não deveria envolver maior esclarecimento da opinião pública, capaz de influenciar os parlamentares? Obviamente não.

Um erro agora será pago por muito tempo --e com muito dinheiro.

O problema é que, em política, as prospecções em período eleitoral são tão profundas a distância que separa o palanque da terra.

Gilberto Dimenstein é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.

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