Pensata

Gilberto Dimenstein

03/10/2009

Torcer para Kfouri estar errado

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O jornalista Juca Kfouri demonstrou, mais uma vez, coragem ao ser crítico com a escolha do Rio como sede das Olimpíadas, remando contra a onda em todo o país. Os fatos estão mais com os céticos (poucos) do que com os eufóricos. Há boas razões, olhando o passado, para temer desvios de recursos e promessas de papel. Faço parte, porém, da turma dos que acham que temos uma grande chance pela frente.

Não é concebível que o Brasil tenha uma cidade como o Rio, nosso cartão de visitas, degradado pela violência, quase uma terra sem lei - com isso, saem perdendo todos os brasileiros. Tenho visto, com cauteloso otimismo, esforços do poder público em colocar ordem na cidade, com projetos interessantes nas regiões mais violentas - o projeto Escola da Amanhã, as intervenções em Cidade de Deus e Dona Marta.

O Rio é beneficiado por uma extraordinária articulação, nunca vista, dos governos federal, estadual e municipal. Os jogos Olímpicos, portanto, são uma chance para que se tente algo como ocorreu em Barcelona, remodelada pela competição, ou Sidney, que recuperou espaços deteriorados.

Cidades que fizeram muito diferente do que ocorreu, no Rio, durante o os jogos pan-americanos.

Quanto menos eufóricos e mais críticos ficarmos, maior a chance das quase solitárias advertências do competente Juca Kfouri serem apenas isso - advertências.

Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.

E-mail: palavradoleitor@uol.com.br

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