Pensata

Gilberto Dimenstein

05/10/2009

Como o Brasil perde inventores

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Romero Rodrigues, 31 anos, economizava R$ 100 por mês para, com três amigos, tocar um projeto de internet. O negócio: ajudar o internauta a comparar preços pela tela do computador. A empresa foi vendida agora por U$ 342 milhões. Essa história de sucesso mostra um desastre nacional --perdemos todos os dias milionários e inventores.

Romero me explicou como, desde menino, se encantava com as descobertas, recebendo apoio da família e da escola. Virou engenheiro da Poli. Conseguiu, assim, transformar seu talento em invenção, que, além de deixá-lo rico, ajudou os consumidores a pagaram menos pelos produtos. Ele é um dos criadores do BuscaPé --a história mais detalhada está no www.dimenstein.com.br.

Essa é a melhor tradução do que perdemos por não termos professores de ciências nas escolas públicas --aliás, o drama, como sabemos, já começa nas aulas de matemática. A riqueza de uma nação reside exatamente no seu ímpeto inovador, em gente que transforma e cria conhecimento.

Por isso, o que era uma economia de R$ 100 mensais vira um negócio de U$ 342 milhões. Em essência, educar é ensinar a produzir as mais variadas riquezas.

*

Ao longo dos anos, tenho feito uma coleção de personagens como Romero. Entrevistei gente como Adid Jatene, Maurício de Souza, Ziraldo, Miguel Nicolelis, Dráuzio Varela, Gilberto Gil, entre outros. Todos falam de uma dívida com alguém marcante em sua educação. Dá para ouvir as entrevistas no www.catracalivre.com.br.

Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.

E-mail: palavradoleitor@uol.com.br

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