Pensata

Gilberto Dimenstein

15/10/2009

Bebê vendia cigarro

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Começou nesta semana, em São Paulo, uma exposição mostrando como a publicidade usou bebês, médicos e até a figura do Papai Noel para vender cigarros --as imagem estão no www.catracalivre.com.br.

Usar médico para vender cigarro é, hoje, inacreditável, digno mesmo só de uma exposição. Temos aqui mais um motivo para saudar os chatos.

Muitas das campanhas de saúde --assim como movimentos sociais e ecológicos-- só tiveram força por causa dos chatos, aqueles seres monotemáticos, muitos deles irritantemente obsessivos, que não se incomodam em enfrentar as modas. Apesar de todas as adversidades, desafiam os poderes, enfrentam a opinião pública, mas, no final, com a força dos argumentos, mudam leis e atitudes.

Até pouquíssimo tempo, aqueles seres que ficavam falando do desmatamento, do aquecimento global, eram chamados de ecochatos; quem defendia os direitos da mulher era, muitas vezes, ridicularizado.

Quem diria que em cidades brasileiras o fumo seria proibido em lugar fechado --e a medida fosse cumprida.

No futuro, sentiremos tanta estranheza olhando as imagens de jogadores de futebol anunciando bebidas como o que sentimos vendo as imagens de um bebê ou Papai Noel vendendo cigarro.

*

Na verdade, por trás do chato, educador. Essa exposição serve, indiretamente, para comemorarmos outubro, que é o mês do educador.

Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.

E-mail: palavradoleitor@uol.com.br

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