Gilberto Dimenstein
A obra marginal de Serra
O trânsito de São Paulo já é, normalmente, um inferno. Fica pior no final de ano --e, agora, com as obras nas pontes da marginal do Tietê, iniciadas nesta semana, o congestionamento conseguirá ficar ainda mais grave. Nunca uma obra produziu um debate tão intenso sobre o carro na cidade --e será um interessante teste para José Serra.
Não haveria maiores problemas se os incômodos de agora significassem alívio depois de março, quando se inauguram as pistas novas --certamente deve ser coincidência a inauguração ocorrer exatamente no prazo que o governador precisa deixar o cargo para concorrer ao Palácio do Planalto.
O problema é que muitos especialistas alertam que se houver alívio, será por pouco tempo, os congestionamentos logo voltarão. O que significa dinheiro jogado fora --ou seja, R$ 1,3 bilhão. Aliás, já estão falando que as novas pistas custarão R$ 1,7 bilhão. O Ministério Público, assim como vários defensores do meio ambiente, alertam ainda para o risco de mais enchentes.
Todo esse desperdício será amenizado se a população perceber (e pelas pesquisas ainda não percebe) que o grau de civilidade de São Paulo está condicionado, em parte, pela capacidade de limitar os carros e investir cada centavo em transporte público.
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Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras. E-mail: palavradoleitor@uol.com.br |

