Gilberto Dimenstein
A classe média do tráfico
Ex-estudante de engenharia, Jaques Chulam vem de uma família rica de São Paulo. Seu prazer era o surf, mas virou traficante entre Brasil e Estados Unidos. Acabou preso na Europa e, para acertar as contas com sua vida, escreveu um relato sobre como um jovem de classe média entra no tráfico. Antes disso, forjou o próprio sequestro e consumiu crack.
Chegou a plantar maconha numa reserva florestal protegida pelo Exército americanos --trechos estão no www.catracalivre.com.br.
O drama dele teve uma relevância especial. Colhi dados na Fundação Casa (Ex-Febem) mostrando que cresce o número de jovens de famílias ricas presos por tráfico. Entre as várias explicações dadas por Jaques, um aspecto tem a ver com o clima de impunidade no país.
Ele fala que o traficante ganha status por ser rodeado de jovens --Jaques virou organizador de raves. O jovem mais rico se sentiria impune porque existe a suposição de que cadeia é coisa para pobre, sempre haveria um jeito de bancar um bom advogado ou pagar um policial.
É mais um jeito de se encarar o custo da impunidade no Brasil.
![]() |
Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras. E-mail: palavradoleitor@uol.com.br |
