Pensata

Gilberto Dimenstein

03/11/2009

Jornalista Lula seria demitido

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Lula pode ser o presidente mais popular da história do Brasil, com alto prestígio internacional. Pode até eleger uma sisuda burocrata, que nunca teve nenhum voto, para o seu lugar. Mas, como jornalista, seria demitido rapidamente. Isso se seguisse seu manual particular de jornalismo.

Nos últimos tempos, o presidente tem dito coisas como: o papel do jornalista não é fiscalizar, mas sim informar. Chegou a pedir aos repórteres que não "interpretassem" um fato, afirmando que eles deveriam apenas relatá-lo friamente. Cada vez se incomoda mais com os "formadores de opinião", pessoas que, justamente, têm a missão de analisar.

No mais, Lula diz, até com certa ponta de orgulho, que não lê jornal --assim não se incomoda em afirmar que não gosta de ler livros, que, segundo ele, dão sono.

Todas essas manifestações não teriam maior importância e fariam parte do costume presidencial de falar, sem pensar, o que lhe passa na cabeça. O que me preocupa é ver cada vez mais a irritação com a diversidade e com os mecanismos de controle da sociedade.

São os ataques seguidos ao TCU, o desdém com advertências dos juízes sobre as viagens eleitorais, e a tentativa de interferência em empresas privadas.

Pelo jeito nada disso coloca em risco sua estupenda popularidade, mas coloca em risco a imagem de alguém que reverencia a democracia, que, sem mecanismos de controle (e a imprensa é um deles), não funciona.

Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.

E-mail: palavradoleitor@uol.com.br

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