Pensata

Kennedy Alencar

16/05/2008

Minc, pragmático e marqueteiro

Quem conhece de perto Carlos Minc diz que ele é muito mais pragmático do que Marina Silva. No cargo de secretário do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, ele viabilizou grandes projetos econômicos exigindo compensações ambientais, como replantio de árvores, recuperação de áreas devastadas, de lagoas e por aí foi. Ganhou a simpatia de grandes empresas. Em troca, ele obteve investimentos privados em projetos ambientais.

Beleza pura.

Pode ser uma boa política para o Estado do Rio de Janeiro.

Essa política servirá à Amazônia?

Quem entende da floresta mais importante do mundo acredita que não. A autorização de uma exploração econômica "sustentável" (palavrinha bem surrada e que serve de Blairo Maggi ao Greenpeace) tende a comer a floresta. Pode ir comendo aos poucos, mas vai comendo.

O ideal seria uma espécie de congelamento da Amazônia no tamanho atual. Alguns grandes projetos estratégicos, para geração de energia, por exemplo, deveriam ser autorizados. Mas não existe exploração que combine pecuária e soja com mata em pé. E a grande pressão sobre a Amazônia vem dessas duas atividades. Hoje, a pecuária seria uma ameaça maior.

O desafio de Minc é gigantesco. Ele mesmo já assumiu que é marqueteiro. Falou que vai prender desmatador em helicóptero da PF (Polícia Federal). Uma bola tão cantada assim tende a virar caricatura. Soou falso, por exemplo, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, ser fotografado vestido de farda com uma sucuri nos braços.

Obviamente, uma dose de pragmatismo fará bem ao governo. Mas, em termos de marketing, Minc tem pouco a ensinar a Lula e à própria Marina Silva, que não poderia ter escolhido melhor hora para deixar o posto.

A saída de Marina acuou o governo, que está subestimando o impacto nativo e internacional de sua queda. As pressões ambientais sobre o Brasil vão aumentar. A derrota de uma defensora da Amazônia foi e continua sendo notícia no mundo inteiro.

Lula e Minc terão de fazer mais do que prender desmatador nos helicópteros da PF. Piada o presidente já anda fazendo: deixar Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) na gestão do PAS (Programa Amazônia Sustentável) é de matar de rir. Ou será que é de chorar?

*

Queimado

Minc pode esquecer essa idéia de colocar o ex-governador do Acre Jorge Viana para coordenar o PAS (Plano Amazônia Sustentável) em substituição a Mangabeira Unger. Lula não quer nem ouvir falar do ex-governador do Acre.

O presidente fez de Minc a segunda opção para substituir Marina por pressão de ministros e auxiliares próximos. Todos com a correta avaliação de que Viana amenizaria o impacto da saída de Marina. O ex-governador pegou um avião para dizer a Lula que não topava.

Lula registrou que não foi a primeira vez que Viana hesitou numa hora de crise. No escândalo do mensalão, o presidente achava que as sugestões de Viana para enfrentar a tormenta resultariam numa rendição aos tucanos e pefelistas (estes hoje demistas). Na época, Lula chegou a dizer que faltava a Viana empenho na defesa do governo.

Kennedy Alencar, 40, é colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre os bastidores da política federal, aos domingos.Também é comentarista do telejornal "RedeTVNews", no ar de segunda a sábado às 21h10.

E-mail: kalencar@folhasp.com.br

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Comentários dos leitores
Sudeste/ sudestino (39) 03/06/2008 16h34
Sudeste/ sudestino (39) 03/06/2008 16h34
Shouthem Brazil Lumber & Colonization Company do norte-americano Percival Faquhar, recebeu do governo brasileiro autorização para colonizar Paraná e Santa Catarina.
A empresa enviou do Paraná para os EUA, 250 milhões de pinheiros da espécie araucária documentados, chegando a 750 milhões de forma ilegal.
Em Santa Catarina o norte-americano mandou para os EUA 800 milhões de árvores.
A conseqüência dessa colonização estrangeira foi a guerra do contestado de 1912 a 1916.
Fonte: Wikipédia - Destino Manifesto
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Anna Carolina Sphair (3) 03/06/2008 10h20
Anna Carolina Sphair (3) 03/06/2008 10h20
CURITIBA / PR
Desmatar a floresta Amazônica para tirar madeira de lá é sinal de que o Brasil é realmente um país muito PRIMITIVO! Explorando a floresta de um modo inteligente,realizando pesquisas, descobrindo medicamentos, se ganharia muito mais dinheiro, cultura e tecnologia!!! A floresta tem um potencial imenso, que é jogado no lixo cada vez que uma árvore cai... pra quê? Para retirar madeira de lá? Usem a Amazônia do modo correto, preservando, utilizando sem destruir. Se isso for feito,ela sempre estará lá, para gerar novos recursos. Se continuarem derrubando a floresta apenas, uma hora a fonte vai secar. Vai chegar o tempo emq ue apenas ter dinheiro não será o suficiente para sobreviver, o meio ambiente vai mostrar isso, como já está fazendo... Senadores,deputados, Sr.Presidente...estamos d eolho nas vossas ações!!! 2 opiniões
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Rubens Junior Moreno Rubio (71) 31/05/2008 09h41
Rubens Junior Moreno Rubio (71) 31/05/2008 09h41
quero ser legal, juro que quero trabalhar legalmente, mais protocolei uma LAU, na região amazonica, para exploração de um projeto de manejo de 618 (seiscentos e dezoito hectares), que daria por volta de 21.000 m/3 de madeira legalizada, explorada como quer os bambis ambientalistas, mas até agora nem começou a andar o projeto, depois como quererm que os fazendeiros trabalhem honestamente, sejam honestos com nós e seremos o mesmo, já já
não aguento mais financeiramente, por que fica caro manter a área, e vou desmato tudo e jogo semente de capim, não está me restando outra alternativa
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