Kennedy Alencar
A estratégia do pré-sal
Vamos deixar claro uma coisa: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Edison Lobão (Minas e Energia) já combinaram que será criada uma nova estatal enxuta para administrar as reservas do pré-sal que ainda não foram leiloadas.
A decisão política está tomada faz tempo, como já revelou a Folha. Não é admitida publicamente pelos impactos nas ações da Petrobras e porque há um mar de detalhes que ainda precisam ser acertados.
Daí todo esse trabalho de uma comissão interministerial para propor uma nova Lei do Petróleo. Na entrevista à TV Brasil, a tevê pública que o governo criou, Lula foi claro: disse que a estatal do pré-sal seria enxuta.
Quando a Folha publicou que a decisão estava tomada, foi aquela correria de negativas. Na imprensa, quem não conseguiu a informação do núcleo do governo optou pela saída clássica: era um balão de ensaio para ver no que daria. É sempre assim. Quando não conseguem apurar, é porque ainda não aconteceu.
Mas esse não é o ponto. O ponto é a estratégia do governo para o pré-sal. Há duas frentes: a técnica e a política. Na técnica, Lula está empenhado em legar o que julga ser a mais adequada regulação para a imensa descoberta de petróleo na costa brasileira.
Faz todo o sentido. O risco desapareceu. O petróleo está lá em baixo, a 7 mil metros. Cientes disso, os exploradores terão dificuldade para tirar o óleo das profundezas. Será necessário um belo montante de recursos, que ninguém sabe direito precisar. Há muito chute, como disse o presidente da Vale, Roger Agnelli.
No aspecto técnico, são pertinentes os questionamentos à proposta do atual governo. Lula tem simpatia pelo modelo de partilha de produção, com um meio-termo (uma Petrobras turbinada por uma capitalização).
Do ponto de vista político Lula tem dois interesses. O primeiro é ser o pai do destino dos recursos futuros desse ouro negro, batendo na tecla de que devem ser usados para investimentos maciços na educação e no combate à pobreza. O segundo: utilizar a descoberta para vitaminar a sua popularidade, que já anda nas alturas, e fortalecer a provável candidata governista ao Planalto, a ministra Dilma.
O jogo é esse. Claríssimo. E legítimo, diga-se de passagem. Cabe à oposição não deixar que Lula lhe imponha a agenda e atuar para defender seus interesses técnicos e políticos. Mas há muita dúvida se bater de frente é o melhor caminho. Existem tantas semelhanças entre PT e PSDB que sempre cabe indagar por que não remam para o mesmo lado, mas isso já foi temas de muitas Pensatas e será tema para outra. Aguardem.
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Kennedy Alencar, 42, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre bastidores do poder, aos domingos. É comentarista do telejornal "RedeTVNews", de segunda a sábado às 21h10, e apresentador do programa de entrevistas "É Notícia", aos domingos à meia-noite. E-mail: kennedy.alencar@grupofolha.com.br |
