Pensata

Kennedy Alencar

10/10/2008

Transferência de votos

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Antes do primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva era um tremendo cabo eleitoral, com facilidade surpreendente de transmitir votos para os candidatos que apoiasse. Passada a primeira fase, Lula virou quase um pato manco, incapaz de transferir sua popularidade para os aliados. As duas avaliações são equivocadas.

Lula continua a ser um cabo eleitoral importante. Sua influência é menor em pleitos municipais e tende a ser maior na disputa nacional de 2010. Esse negócio de poste ter futuro na política é exceção, não a regra.

Para começar, uma obviedade. Os temas das eleições municipais são municipais. Saúde, por exemplo, é a preocupação campeã nas pesquisas. Se há um cenário nacional econômico positivo, isso reforça ainda mais a discussão de temas paroquiais, no bom sentido.

Gestões bem avaliadas tendem a continuar no poder ou a vitaminar a campanha de sucessores. É o caso da candidatura do prefeito Gilberto Kassab, que obteve 61% de índice ótimo/bom, segundo o Datafolha divulgado na quinta-feira (09/10).

A eleição paulistana ficou muito difícil para a ex-prefeita Marta Suplicy, candidata do PT de Lula. O mesmo Datafolha mostrou simulação de segundo turno na qual Kassab bate Marta por 54% a 37%.

Mantida essa tendência, a derrota de Marta em São Paulo será um revés para Lula e para o PT. A hoje provável vitória de Kassab se transformará numa vitória política para o governador de São Paulo, José Serra.

Qual a influência desse resultado sobre a sucessão presidencial de 2010? Para Serra, muito bom. Ajuda-o na disputa contra o governador Aécio Neves (MG) pela candidatura tucana ao Palácio do Planalto, apesar de o mineiro ainda estar no jogo. Para Lula, ruim. O resultado é evidência da dificuldade do PT na maior cidade do país, um campo de batalha importante na disputa presidencial.

No entanto, a eleição presidencial será um palco mais adequado para avaliar a real capacidade de transferência de votos de Lula para o seu candidato. Hoje, ele está comprometido até o pescoço com o projeto presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Na disputa municipal, Lula pode argumentar que será um grande parceiro do candidato do seu partido, mas esse discurso é contraditório com a prática e as próprias palavras do presidente de que não faz discriminação administrativa. Na eleição presidencial, a conversa será outra.

Os oito anos do governo Lula estarão sob julgamento. O presidente deverá se licenciar em parte do período eleitoral para subir no palanque e fazer campanha. Ele estará empenhado em defender a sua obra. O discurso está pronto. Gostou da gestão Lula? Vote em Dilma.

Claro que outros fatores influenciarão o voto. O eleitorado precisará "comprar" o candidato. Kassab, por exemplo, foi aceito por setores da classe média situados na centro-esquerda do espectro político. Dilma vai encantar?

A situação econômica em 2010 será importante elemento para avaliar as chances da situação. Se Lula manejar bem a atual crise, poderá colher frutos de boa governança que lhe são negados pela oposição. Se o Brasil se afundar ou piorar muito, a oposição terá boa chance de vencer a parada.

Resumo da ópera: o teste de transferência de votos de Lula se dará em 2010, e tudo indica que ele terá papel para lá de relevante.

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Opinião federal

Quem esteve com Lula recentemente ouviu que ele acha um erro Marta associar Kassab ao ex-prefeito Celso Pitta. Para o presidente, a grande maioria do eleitorado não dá a menor bola para isso.

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Reflexão oportuna

O deputado federal Leonardo Quintão (PMDB) foi um dos fenômenos do primeiro turno. Obrigou dois pesos-pesados da política mineira, o governador Aécio Neves (PSDB) e o prefeito Fernando Pimentel (PT), a enfrentar uma segunda etapa. O candidato da dupla, Márcio Lacerda (PSB), esperava vencer na primeira rodada.

Ser bom de TV e ter carisma são atributos de Quintão, mas isso é pouco. Mais: a história recente do PMDB em Minas não recomenda esperança de boa gestão em Belo Horizonte. Talvez o susto faça bem a Aécio e Pimentel, que poderão se empenhar para convencer o eleitor a optar por um candidato que parece representar um projeto político mais moderno.

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Janela de oportunidade

Analistas de pesquisa avaliam que Marta teve uma chance de levar a eleição no primeiro turno e a perdeu. No momento em que o tucano Geraldo Alckmin (PSDB) começou a cair e Gilberto Kassab (DEM) iniciou a arrancada para superar o tucano, a petista teria tido a chance de capturar um eleitorado de classe média decisivo.

No mapa dos distritos paulistanos, Marta venceu na periferia, entre os mais pobres. Mas perdeu no centro mais rico --talvez menos pobre seja mais adequado. Os mesmos analistas que achavam que ela tinha uma chance de ganhar a parada no primeiro turno acreditam que ela está perto de uma derrota.

Kennedy Alencar, 42, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre bastidores do poder, aos domingos. É comentarista do telejornal "RedeTVNews", de segunda a sábado às 21h10, e apresentador do programa de entrevistas "É Notícia", aos domingos à meia-noite. E-mail: kennedy.alencar@grupofolha.com.br

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Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (731) 25/11/2009 11h39
Igor Bevilaqua (731) 25/11/2009 11h39
Afinal de contas o Amazonino Mendes é no estado do Amazonas o mesmo homem poderoso que o Sarney é no Maranhão e no Acre..., tem razão do "TSE" dar carta branca para que continuem "comprando votos" e recebendo "presentinhos e doações" de empresas interessadas nos cofres do estado..., o estado do Amazonas não foge hora nenhuma às regras brasileiras de corrupção. sem opinião
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Luís da Velosa (1426) 29/10/2009 21h00
Luís da Velosa (1426) 29/10/2009 21h00
Vamos aguardar o julgamento do caso Battisti pelo Supremo Tribunal Federal - STF. Isso é o correto. Não somos juízes e, se nos arvorarmos a sermos, será uma impropriedade, uma temeridade. sem opinião
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Washington Marques (108) 29/10/2009 13h53
Washington Marques (108) 29/10/2009 13h53
NÃO SE PODIA ESPERAR OUTRA COISA DO SENADO FEDERAL SE NÃO A DESOBEDIENCIA JUDICIAL. O QUE SE ESPERAR DE UMA INSTITUIÇÃO QUE FAZ APOLOGIA A DESOBEDIENCIA JUDICIAL E A DESORDEM TOTAL. O QUE SE ESPERAR DE UMA INSTITUIÇÃO QUE TEM A FINALIDADE DE LEGISLAR E FISCALIZAR, PRATICA NEPOTISMO EXPLICITO, DESCARADO A PONTO DE DESOBEDECER UMA ORDEM JUDICIAL (DA SUPREMA CORTE DESTE PAÍS).
SRES. SENADORES A PERGUNTA É: O QUE VOCES ESTÃO FAZENDO COM A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA ? E ONDE VOCES QUEREM CHEGAR COM TANTOS ABSURDOS ??
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