Pensata

Kennedy Alencar

14/10/2008

Lula, FHC, crises e 2010

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que a travessia da atual crise econômica mundial resultará em ganho político para ele e para a sua provável candidata ao Palácio do Planalto em 2010, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Segundo relatos de aliados e auxiliares, Lula diz que acredita ter adotado medidas pontuais suficientes, que o Brasil será menos afetado do que os demais países e que poderá dizer na campanha eleitoral de 2010 que enfrentou com sucesso um problema bem mais grave do que as todas as crises externas do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

A visão otimista de Lula pode se mostrar um equívoco político, porque empresas brasileiras sentem fortemente os efeitos da crise. No entanto, pessoas que conversaram com o presidente na última semana saíram com a impressão de que sua confiança é sincera. Resumindo: Lula pensa que "fará do limão uma limonada", segundo expressão de um ministro que se reúne freqüentemente com o presidente.

Quando usa tom otimista para falar dos efeitos da crise mundial do Brasil, dizendo que os efeitos serão pequenos, Lula não está apenas fazendo jogo de cena em função do cargo. Ele sabe que precisa transmitir otimismo, mas, de acordo com auxiliares próximos, o presidente não está perdendo o sono nem achando que enfrentará um final de governo complicado.

"A oposição vai quebrar a cara mais uma vez. Estão torcendo, quando deveriam dar apoio", disse o presidente em conversa reservada na quinta-feira passada (09/10), ao comentar com aliados políticos a declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de que ele, Lula, comportava-se como "poliana" (otimismo irrealista).

A avaliação de Lula é a seguinte: o crescimento vai cair em 2009, mas não de forma desastrosa, e se recuperará em 2010, justamente no ano da sucessão. Nas reuniões com a equipe econômica, Lula diz que deseja um crescimento de 4% no ano que vem. Auxiliares próximos acham difícil, mas crêem na possibilidade de uma taxa entre 3% e 3,5%, que, sobre um crescimento de mais de 5% em 2008, manteria a sensação de economia aquecida. Para 2010, a avaliação é que o Brasil voltaria a superar os 4%.

Se esse cenário se confirmar, Lula poderá dizer na campanha que administra crises econômicas melhor do que a oposição, vitaminando a chance de eleger Dilma como sucessora. Seria a tal limonada do limão.

Uma das críticas do PSDB e DEM que sempre incomodam Lula é a de que a sua sorte evitou que fosse um desastre administrativo. Com a crise que começou na maior economia do planeta (EUA), espalhou-se para a Europa, atingiu o Japão e chegou aos países emergentes, Lula enfrenta agora o seu grande teste como gestor econômico no meio da tempestade.

Por isso, ele tem se comportado com cautela, evitando fazer um pacote e optando por um conjunto de medidas pontuais na velocidade em que os problemas aparecem.

A solvência da União, com mais de US$ 200 bilhões de dólares em reservas cambiais e uma dívida pública pouco dolarizada, é uma vantagem que Lula tem em relação ao período em que FHC enfrentou uma série de crises em países emergentes ao longo de seus dois mandatos presidenciais.

A crise atual, na maior economia do planeta, é muito mais grave do que as do período FHC. Mas acontece no momento em que o Brasil, concordam a maioria dos analistas, está mais preparado para enfrentar problemas externos. Na visão do presidente, o mercado interno brasileiro é maior do que foi no passado e assumiu uma dinâmica própria que o transformou no principal motor da economia.

Kennedy Alencar, 42, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre bastidores do poder, aos domingos. É comentarista do telejornal "RedeTVNews", de segunda a sábado às 21h10, e apresentador do programa de entrevistas "É Notícia", aos domingos à meia-noite. E-mail: kennedy.alencar@grupofolha.com.br

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Comentários dos leitores
Luciano Cruz (1) 11/11/2009 11h48
Luciano Cruz (1) 11/11/2009 11h48
FHC, chamou textualmente os aposentados de vagabundo. Já, Lula da Silva disse: Aposentados, levantem a bunda da cadeira e vão trabalhar. O que dá no mesmo, não????? sem opinião
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Isaías Santana (32) 10/11/2009 17h00
Isaías Santana (32) 10/11/2009 17h00
É impressionante a maneira tosca com a qual algumas pessoas se reportam ao presidente. Queria muito saber em qual faculdade existe o curso de PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA? O Lula ñ foi o responsável por todos os êxitos, e c/ toda certeza as pessoas de bom senso tb percebem q algumas escolhas dele poderiam ser mais acertadas. Mas a verdade é q há muito ñ víamos alguém cair nessa balança e sair em saldo. O FHC até o primeiro mandato estava caminhando p/ isso, mas conseguiu fazer o país estagnar no segundo mandato. Há muito tempo não víamos o mundo (qdo digo o mundo, digo desde pessoas comuns de outros países até seus meios de comunicação nacional) olhar para o Brasil e acharem q sua administração coleciona acertos. Interessante lembrar q não faz muito tempo, alguns desses nem sabiam onde ficava o Brasil. Ao eloquente pessimista: permita-se conversar com alguém q está fora e pergunte a ele o q tem ouvido sobre o país, já q você ñ consegue abrir os olhos pra enxergar alguma diferença q seja. O pessimista atribui ao crescimento mundial o sucesso brasileiro desta década, se fosse assim teríamos uma África em crescimento e até vizinhos nossos esbanjando a mesma robustez brasileira. Queira acreditar no país e no rumo q ele está tomando! Ñ há como retroceder agora. Fazer vc perceber isso ñ tem nada a ver com o Lula, apenas com a sua própria postura diante do mundo. 9 opiniões
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Cassio Tavares (559) 10/11/2009 10h43
Cassio Tavares (559) 10/11/2009 10h43
Antonio Rodrigues, as escolas públicas do ensino básico são estaduais ou municipais e cabe ao governo federal apenas repassar as verbas da educação conforme manda a lei. A aplicação desses recursos transferidos pelo governo federal, são utilizados pelos governadores e prefeitos de nossas cidades conforme a vontade deles. O pior é que muitos governadores e prefeitos desviam recursos que lhes são repassados para a educação para outras finalidades, e com isso violam as leis. Há poucos dias a Folha publicou o montante dos recursos destinados a cada estado e o maior desvio dessa aplicação se deu no Rio Grande do Sul, ou seja, o que mais desviou esses recursos e em penúltimo lugar estava o Estado de Minas Gerais. Acontece também é que os alunos das escolas públicas de todo o Brasil participaram de um teste e os alunos das esolas públicas de São Paulo, de responsabilidade do estado e da prefeitura ficaram nos últimos lugares. A segurança pública também é de responsabilidade dos estados através de suas policias militar e civil. Acontece que também a Folha publicou dias atrás um comunicado da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo dizendo que a criminalidade apresentou um crescimento nos últimos 3 trimestres. Pesquise e analise se achar conveniente. 5 opiniões
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