Pensata

Kennedy Alencar

24/04/2009

Estresse no Supremo

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É óbvio que ministros do Supremo Tribunal Federal devam manter a compostura e a cordialidade. É óbvio porque deveria ser uma atitude de todo mundo, sobretudo de quem ocupa cargos públicos. Já se foi o tempo no qual questões de honra eram decididas em duelo. Mas um duelo verbal de vez em quando não faz mal à democracia. E foi o que aconteceu na quarta-feira (22/04) na sessão do STF.

O ministro Joaquim Barbosa foi agressivo? Sim. Mas o ministro Gilmar Mendes não é nenhum ingênuo. Sabe se defender muito bem.

É um erro demonizar Mendes. Ele é um homem sério, que age de acordo com as suas convicções. No entanto, é legítimo discordar de atitudes do presidente do Supremo. Neste espaço da Pensata, muitas críticas já foram dirigidas a ele.

Mendes decidiu fazer uma gestão "ativista" na presidência do Supremo. Chamou o presidente da República às falas. Acusou juízes de primeira instância de montar parceria com delegados e promotores para formar um espécie pelotão de justiçamento. Já bateu duro em jornalistas em entrevistas. Enfim, foi para o debate público. Mostrou-se, portanto, disposto a correr o risco de ser contraditado.

Barbosa tem todo o direito de achar que o ativismo de Mendes desmoraliza o Poder Judiciário. É opinião dele. Ah, mas ele errou na forma porque o Supremo é a mais alta corte de Justiça do Brasil... blablablá. Não é recomendável cobrar dos homens um comportamento de santos. Só estimula hipocrisia e farisaísmo. O que aconteceu está longe de ser um grave problema do Brasil. Bom que Mendes e Barbosa debatam. Deveriam dizer mais vezes o que pensam um do outro.

É exagero falar em crise institucional. O Brasil realizou o impeachment de um presidente democraticamente eleito dentro da normalidade institucional. Isso aconteceu em 1992. Teria sido uma oportunidade de ruptura democrática ou crise institucional. De lá para cá, houve crises políticas, econômicas e sociais. Não houve uma única crise institucional. Crise institucional foi o golpe de 1964. Hoje, o Brasil é uma democracia madura, que pode muito bem suportar estresse no poderes da República.

*

Ambiente no cafezinho

Muitos colegas de Joaquim Barbosa no STF pensam exatamente como ele a respeito da gestão de Gilmar Mendes. Mas preferem não trazer a público suas observações reservadas.

Kennedy Alencar, 42, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre bastidores do poder, aos domingos. É comentarista do telejornal "RedeTVNews", de segunda a sábado às 21h10, e apresentador do programa de entrevistas "É Notícia", aos domingos à meia-noite. E-mail: kennedy.alencar@grupofolha.com.br

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Comentários dos leitores
Pasqual Evangelista (5) 26/11/2009 18h23
Pasqual Evangelista (5) 26/11/2009 18h23
Tem pessoas que não sabem distinguir entre STF e TSE.
O ministro Joaquim Barbosa renunciou ao TSE e não ao Supremo Tribunal Federal.
E ainda falam muitas bobagens. A justiça não de ser feita pela força da opinião publica e sim pelos ditames da Constituição Federal. Nos meus 64 anos não existe maior maria-vai-com-as-outras do que pseudos intelectuais que parecem não ter poder de raciocinio próprio.
sem opinião
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Edelweiss Lyrio (2) 26/11/2009 16h46
Edelweiss Lyrio (2) 26/11/2009 16h46
A degradação moral de nossas intituições políticas foram ao fundo poço com a ascenção dos novos "chefes da câmara e senado,com o beneplácito do chefe dos chefes. sem opinião
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Almir Ferreira (2) 19/11/2009 14h19
Almir Ferreira (2) 19/11/2009 14h19
Não gostei da notícia de que o ministro vai renunciar. O Ministro Joaquim Barbosa passa muita confiança em quem o vê trabalhar. É homem sério, competente e muito digno do cargo que ocupa. O Brasil perde com isto. 2 opiniões
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