Pensata

Kennedy Alencar

09/06/2009

Deu a louca na Petrobras?

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A Petrobras não chegou por acaso ao posto de maior empresa da América Latina. Sem competência não teria se estabelecido. Foi fundamental a modernização da gestão de uma empresa de capital misto. Hoje, cerca de 60% de seu capital total está nas mãos da iniciativa privada. A empresa tem ações nas principais Bolsas do planeta. E a União mantém o controle da companhia, mantendo sob propriedade pública a maior parte das ações com direito a voto.
Apesar de ser usada politicamente pelos governos de plantão, a Petrobras é um caso de sucesso empresarial.

Por isso mesmo, é incompreensível a decisão da empresa de criar um blog para jogar na rede mundial de computadores questionamentos e observações de jornalistas antes que as reportagens sejam publicadas. Numa empresa privada, o gênio responsável seria demitido.

A decisão da Petrobras é antiética e burra. Simples assim.

Quando um jornalista procura a empresa antes de publicar a reportagem, dá a ela a chance de corrigir erros, precisar informações e até de matar uma pauta que não para em pé.

Esse procedimento não está na letra da lei. É resultado do processo da modernização da imprensa, de seu amadurecimento como instituição que, nas democracias, deve fazer da forma mais responsável possível a busca da verdade.

A imprensa erra? Erra. A imprensa está cheia de estúpidos? Está. Há parcialidade em alguns veículos? Inegável.

No entanto, a imprensa brasileira vem melhorando o padrão de seus procedimentos. A decisão da Petrobras quebra uma relação de confiança, digamos assim, necessária à liberdade de imprensa e ao direito de a empresa expor o contraditório.

Jornalistas serão desestimulados a procurar a Petrobras e a abrir o sigilo de suas informações. Mais: algumas informações não precisariam, necessariamente, ser checadas com a empresa. Se o jornalista tem segurança de sua informação, pode e deve publicá-la. Se errar, arcará com o ônus. Mas a boa prática jornalista recomenda ouvir o outro lado. Em casos de suspeita de corrupção, é obrigatório oferecer o direito de defesa. Mas essa oferta poderá ser feita de forma limitada a fim de preservar informações exclusivas do jornalista.

A imprensa e a empresa perdem, mas quem perde mais? Sem dúvida, o público.

O argumento de que a imprensa dá o erro na manchete e se desculpa no pé de página é um bom argumento. Mas há jornalistas e há jornalistas. Há veículos e há veículos. O blog poderia registrar um ranking de quem, do seu ponto de vista, errou. E existe uma Justiça no Brasil que tem sido cada vez mais rápida e dura com a imprensa na concessão de direitos de resposta e reparações materiais.

É pura cascata falar em transparência. Transparência haveria se a Petrobras esperasse a publicação das reportagens. Se a empresa se sentisse injustiçada, poderia expor os bastidores da troca de informações com a imprensa.

Por último, há controvérsia sobre a ilegalidade da decisão da Petrobras. As opiniões de especialistas, até o momento, tendem majoritariamente a dizer que é absolutamente legal. Pode ser, mas é absolutamente antiética e burra. Demonstra intolerância a críticas e incompetência empresarial.

Na democracia liberal, as empresas buscam melhorar suas relações com a imprensa. Como os políticos entenderam que precisam dialogar com a imprensa para exercer o poder, as empresas necessitam fazer o mesmo para lucrar.

Difícil compreender como uma empresa que precisa enfrentar uma CPI no Senado, investir na exploração do pré-sal e continuar com sua trajetória de sucesso possa ter uma gestão capaz de dar um tremendo tiro no pé. Decisões desse tipo só reforçam a imagem de uma empresa que ainda precisa realmente avançar muito na transparência. Transparência dos seus próprios atos.

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Sítio

Quem quiser conhecer a genial estratégia de comunicação da Petrobras, acesse o link.

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Erro admitido

Diante das manifestações dos leitores, segue uma atualização desta Pensata, escrita antes do recuo da Petrobras. Não há muito o que dizer. O recuo da estatal, que decidiu não divulgar no blog a correspondência com jornalistas antes da publicação das reportagens, reforça os argumentos da coluna. Toda a história pegou muito mal para a Petrobras, mas ainda bem que ela reconheceu a burrice e a falta de ética.

Kennedy Alencar, 42, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre bastidores do poder, aos domingos. É comentarista do telejornal "RedeTVNews", de segunda a sábado às 21h10, e apresentador do programa de entrevistas "É Notícia", aos domingos à meia-noite. E-mail: kennedy.alencar@grupofolha.com.br

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Comentários dos leitores
Louis Fod (281) 03/11/2009 09h40
Louis Fod (281) 03/11/2009 09h40
Obras de empreiteiras levam muito tempo para desviar o dinheiro público, Propaganda desvia muito mais rápido, é por isso que te aborrecem com propagandas da Petrobrás, da Sabesp, da Caixa, do BB, da NBR, das obras do metro e sei mais lá o que [mude de canal] , [aperte mudo], [rasgue a página], mas não aceite isso desvio de dinheiro na sua cara! 'governo do RJ aumenta em 37 % a verba para propaganda' sem opinião
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Louis Fod (281) 03/11/2009 09h33
Louis Fod (281) 03/11/2009 09h33
O voto indireto é a força motriz das falcatruas !
Os deputados e os senadores são sempre suspeitos,
pt e psdb usam de vários recursos como a propaganda de estatais para roubar o seu tutu, na sua cara!
-o-
Se houvesse uma democracia direta, 20 por cento já seria mais do que o suficiente, 20 % é muito mais representação do que acontece hoje, é muito mais do que qualquer pesquisa já ouviu. O cidadão comum vota de graça e não precisa de nenhum vereador para representá-lo. Isso é tão obvio, não? Hoje qualquer um poderia votar como faz no BBB9 ou outras besteiras da tv. E o custo desse congresso virtual tende a zero.
sem opinião
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Não é novidade nenhuma que as pessoas usem da sua influencia no governo para adquirir ganhos de empresas do governo. Neste caso da Petrobras tem sido: a) Através de indicação de cargos de confiança. b) Através de ser eleito assessor no conselho consultivo com ganhos de 80 a 100 mil mes, la estão Dilma e outros ministros e dirigentes partidarios. c) Através de eventos que na maioria dos casos não aparecem seus nomes por que são feitos por laranjas apadrinhadas. Tudo contra a ética e a moral. Só lembrar quanto a Petrobras enfiou nos Jogos do Pan e verificar. 2 opiniões
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