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Luiz Caversan
caversan@uol.com.br
  1º de julho
  Sábado, um bom dia
 
Um excelente dia, o sábado. O melhor da semana. Por isso, fiquei muito feliz com a oportunidade de voltar à crônica, agora on line, justamente aos sábados. Um bom dia para começar.
"Um bom dia para terminar" foi o nome da última crônica que escrevi na página 2 da Folha, na coluna Rio de Janeiro, a qual frequentei, todas as sextas-feiras, durante quase nove anos, tempo em que fui diretor da Sucursal do Rio do jornal.
De volta a São Paulo, minha cidade, retorno com prazer ao texto pessoal, curto, aquele que, além de poupar o tempo do leitor, permite o exercício da concisão.
Portanto, chega de jogo de palavras e vamos em frente: a idéia é falar neste espaço de São Paulo. Não de uma só cidade, mas das muitas que coabitam no emaranhado de ruas congestionadas, prédios ultramodernos, favelas, parques agora ressequidos, multi-manifestações culturais, moda, design, arte, comportamentos diversos.
A diversidade de São Paulo é única. É um prazer _às vezes trabalhoso, claro_ conviver com isso.

Pois é justamente uma bela síntese do Brasil que está didática e eficientemente colocada à disposição de todos na Mostra do Redescobrimento, a mega-exposição em cartaz no parque Ibirapuera até 7 de setembro (veja fotos do evento).
Da arte e da cultura brasileira, está tudo lá, para ser visto, sentido, fruído, gostado ou não. Mas é um encantamento exatamente pela diversidade do que está exposto: uma tomografia computadorizada da cultura brasileira, da arte rupestre e dos índios (com objetos sofisticadíssimos) aos mais que contemporâneos, passando pelas maluquices geniais e encantadoras de Bispo do Rosário, aquele que queria levar as coisas dos homens para Deus.
Numa visita recente (é preciso várias para ver tudo), a simpática monitora que me recebeu disse que a criançada das escolas públicas de periferia (leia-se pobre) fica encantada com tanta novidade e quer saber de tudo. Já os bem-nascidos, dos colégios mais "finos", esses em geral são blasés e desinteressados. É a lei da oferta e da procura transposta para a formação cultural e emburrecendo as elites.

Um alento e um desalento: durante o mês de julho, qualquer estudante entra de graça na mostra; muita "gente boa" ainda não foi até lá por pura preguiça.

Curiosidade
Veja só o que anda circulando pela Internet, atribuído à Stanford University: se pudéssemos reduzir a população do mundo a um vilarejo de 100 pessoas, mantendo todas as proporções atuais, teríamos: 57 asiáticos, 21 europeus, 14 das Américas, 8 africanos, 52 mulheres, 48 homens, 70 não-brancos, 30 brancos, 70 não-católicos, 30 católicos, 59% de toda a riqueza seriam de 6 pessoas, e todas as 6 seriam dos EUA, 41% da riqueza seriam distribuídas por 94 pessoas, 80 morariam em casas abaixo do desejável, 20 morariam em casas boas e ótimas, 70 seriam analfabetos, 30 alfabetizados, 50 seriam desnutridos, 50 nutridos, 1 teria nível superior, 99 não teriam nível superior, 1 teria um computador, 99 não teriam computador.
Pois é, o mundo é assim...

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