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Um
excelente dia, o sábado. O melhor da semana. Por isso, fiquei
muito feliz com a oportunidade de voltar à crônica, agora
on line, justamente aos sábados. Um bom dia para começar.
"Um bom dia para terminar" foi o nome da última crônica que
escrevi na página 2 da Folha, na coluna Rio de Janeiro,
a qual frequentei, todas as sextas-feiras, durante quase nove
anos, tempo em que fui diretor da Sucursal do Rio do jornal.
De volta a São Paulo, minha cidade, retorno com prazer ao
texto pessoal, curto, aquele que, além de poupar o tempo do
leitor, permite o exercício da concisão.
Portanto, chega de jogo de palavras e vamos em frente: a idéia
é falar neste espaço de São Paulo. Não de uma só cidade, mas
das muitas que coabitam no emaranhado de ruas congestionadas,
prédios ultramodernos, favelas, parques agora ressequidos,
multi-manifestações culturais, moda, design, arte, comportamentos
diversos.
A diversidade de São Paulo é única. É um prazer _às vezes
trabalhoso, claro_ conviver com isso.
Pois é justamente uma bela síntese do Brasil que está didática
e eficientemente colocada à disposição de todos na Mostra
do Redescobrimento, a mega-exposição em cartaz no parque
Ibirapuera até 7 de setembro (veja
fotos do evento).
Da arte e da cultura brasileira, está tudo lá, para ser visto,
sentido, fruído, gostado ou não. Mas é um encantamento exatamente
pela diversidade do que está exposto: uma tomografia computadorizada
da cultura brasileira, da arte rupestre e dos índios (com
objetos sofisticadíssimos) aos mais que contemporâneos, passando
pelas maluquices geniais e encantadoras de Bispo do Rosário,
aquele que queria levar as coisas dos homens para Deus.
Numa visita recente (é preciso várias para ver tudo), a simpática
monitora que me recebeu disse que a criançada das escolas
públicas de periferia (leia-se pobre) fica encantada com tanta
novidade e quer saber de tudo. Já os bem-nascidos, dos colégios
mais "finos", esses em geral são blasés e desinteressados.
É a lei da oferta e da procura transposta para a formação
cultural e emburrecendo as elites.
Um
alento e um desalento: durante o mês de julho, qualquer estudante
entra de graça na mostra; muita "gente boa" ainda não foi
até lá por pura preguiça.
Curiosidade
Veja só o que anda circulando pela Internet, atribuído à Stanford
University: se pudéssemos reduzir a população do mundo a um
vilarejo de 100 pessoas, mantendo todas as proporções atuais,
teríamos: 57 asiáticos, 21 europeus, 14 das Américas, 8 africanos,
52 mulheres, 48 homens, 70 não-brancos, 30 brancos, 70 não-católicos,
30 católicos, 59% de toda a riqueza seriam de 6 pessoas, e
todas as 6 seriam dos EUA, 41% da riqueza seriam distribuídas
por 94 pessoas, 80 morariam em casas abaixo do desejável,
20 morariam em casas boas e ótimas, 70 seriam analfabetos,
30 alfabetizados, 50 seriam desnutridos, 50 nutridos, 1 teria
nível superior, 99 não teriam nível superior, 1 teria um computador,
99 não teriam computador.
Pois é, o mundo é assim...
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