O papel em branco aceita tudo. Essa sempre foi uma máxima nas redações para, ironicamente, justificar a quantidade infinita de besteiras, erros, equívocos, mentiras, ofensas, análises tendenciosas, frases mal construídas ou barbaridades gramaticais que infestam os jornais impressos de todo o mundo.
Diante da fabulosa evolução tecnológica dos últimos anos, podemos tranquilamente transpor aquele axioma de velhos lobos da imprensa para a Internet e afirmar: sim, a tela em branco também aceita tudo.
Basta conferir a quantidade cavalar de besteiras que circula na rede diariamente, não apenas em sites absolutamente inúteis, desinformados ou ofensivos, como também, e quem sabe principalmente, via e-mails que invadem a nossa caixa postal.
Diferentemente, porém, da palavra escrita, que para desespero de muitos se perpetua nas páginas dos jornais, na rede ela é fluida, rapidamente deletável, chega e parte como quem nem veio. Basta acionar um ou dois comandos.
O que torna, mais que suportável, até mesmo divertido navegar pelo besteirol digitalizado.
Besteirol, como se sabe, é um gênero teatral que surgiu no teatro carioca e sobrevive em programas de televisão mais ou menos inteligentes, como "Sai de Baixo" (menos) ou "Casseta e Planeta Urgente" (mais).
Assim é também nas mensagens que circulam na rede, gerada, repassada e multiplicada por uma turma de aficionados, alguns até bastante conhecidos na mídia. Umas são ótimas; outras, de amargar.
Não passa um dia sem que um spam chegue com algumas piadinhas infames, textos sexistas que têm a mulher como vítima ou o homem como vítima ou algum filminho politicamente incorreto.
Diante de tanta desgraça do noticiário atual e da lama que abunda nos sites que tratam de política, essas mensagens acabam se transformando em um refresco.
Não há como deixar de se divertir, por exemplo, com uma relação de respostas dadas por vestibulandos de uma universidade do Rio, embora seja um besteirol infelizmente verdadeiro. Eis algumas pérolas: "O nervo ótico transmite idéias luminosas ao cérebro", "O problema do terceiro mundo é a superabundância de necessidades" ou "A insônia consiste em dormir ao contrário".
Há algumas mensagens que são terríveis, como as de perguntas sem resposta(Como é que o Tarzã conseguia estar sempre barbeado? Por que deram ao filme o nome de "O Massacre da Serra Elétrica", se a serra não era elétrica?) ou as de trocadilhos de matar (o pai de Malu Mader é Malu Father; todo mundo só morre uma vez, mas Alanis Morrissette, o pateta usa teclado e o Mickey Mouse). Como não poderia deixar de ser, sempre aparece também um ou outro poeminha ridículo.
Claro que é muito melhor receber esse tipo de mensagem do que propaganda política de vereador, praga que aliás já começou a se espalhar.
Clique nas palavras assinaladas acima, leia algumas mensagens selecionadas e divirta-se. Se puder.
Aos que mandam esse tipo de mensagem: por favor, fiquem à vontade.
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de vontade política e de competência
01/07/2000
-Sábado, um bom dia