(O besteirol real dá de 10 no virtual)
A genial idéia aí de cima segundo a qual o horário eleitoral obrigatório faz mal à saúde não é minha, não.
Quem me disse isso foi a publicitária Ana Carmen Longobardi, que cuida da criação da prestigiosa agência Talent, numa instrutiva conversa sobre os políticos que vão à TV tentar convencer a gente a votar neles.
Gostei tanto da frase que a reproduzi na coluna que mantenho às quartas-feiras na seção Eleições da Folha de S. Paulo.
Porque acredito que o besteirol eletrônico-político-partidário, salvo raríssimas exceções, faz um mal tremendo para nossa saúde intelectual.
Mas não é só isso.
Para a mesma coluna, publicada dia 30/8, busquei as observações sempre cultas e perspicazes de Washington Olivetto (alô, alô W/Brasil...) e reproduzi o cerne de suas idéias, que partem do pressuposto de que, se fosse bom, o horário eleitoral não seria obrigatório.
A conversa com o Olivetto não pôde, infelizmente, ser inteiramente publicada, porque o jornal ainda vive no espaço não-virtual, portanto limitado por colunas e centímetros.
Aqui, no entanto, dá para concluir o raciocínio dele: o horário eleitoral obrigatório é um horror porque "aborrece a população, atrapalha a programação das emissoras de televisão, interfere nos negócios de mídia, diminui a possibilidade de venda de produtos de consumo, que gera empregos, e não ajuda o candidato. Ou seja, não cumpre função nenhuma".
A não ser, é claro, a função de encher a paciência de quem é obrigado a encarar aquele que acha legal dizer que é preciso botar um Zé na prefeitura, que seu nome é Enéas ou que vai mudar o mundo, quando não consegue sequer mudar de roupa.
Sou contra o horário eleitoral na TV, assim como sou contra o voto obrigatório, assim como sou contra o serviço militar.
Pelo mesmo motivo: os três são obrigatórios.
Não se pode obrigar ninguém a ser patriota (alistando-o no Exército na marra) ou a ser partidário da democracia (obrigando-o a votar sem desejar e a ter sua televisão invadida por uma horda de boçais falando besteira, no caso dos candidatos a vereador).
As três formas estão falidas, equivocadas, ultrapassadas.
É preciso mudar.
Eu quero ter o direito de servir às Forças Armadas de meu país por vontade própria.
Também quero conhecer os candidatos que disputam as eleições por iniciativa minha e quero votar sem ser punido caso não o faça.
Isso sim é democracia.
Ou seja, alguma coisa que apenas vislumbramos.
Mas ainda chegamos lá

Enquanto isso, e para que essa conversa não fique definitivamente chata, vamos à sessão de Besteirol da Internet desta semana.
Hoje, temos mais um exemplo da relação simples e inocente das crianças com o sexo, mostramos as transformações profundas causadas pelo casamento. Na guerra dos sexos, apresentamos a visão feminina da evolução da espécie humana. Voltamos, hoje, aos nossos queridos e generosos amigos portugueses e também apresentamos em primeira mão um avião que realmente voa.
Atenção: antes de clicar nas palavras assinaladas a seguir
veja bem se você está preparado para encarar uma coisa
verdadeiramente estranha .
Por fim, veja como um
estagiário se vinga do gerente.
Divirta-se e mande o seu besteirol para o e-mail lá de cima.
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