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Luiz Caversan
caversan@uol.com.br
  14 de outubro
  Vamos parar de estar falando besteira?
 

O gerúndio toma conta do besteirol telefônico

Você liga para um serviço qualquer via telefone, pede uma informação, e a voz do outro lado responde: "O sr. pode aguardar um pouco, que eu vou estar anotando seu pedido?".

Você liga o rádio, e um especialista do Procon ensina ao consumidor o que fazer no caso de saques irregulares na conta corrente: "Primeiro, ele deve estar providenciando um boletim de ocorrência. Depois, deve estar procurando o Procon para as medidas cabíveis.".

Estar verificando, estar enviando, estar aguardando, estar batendo o telefone, estar desligando o rádio, porque não dá mais para aguentar tanto gerúndio.

Vou verificar, o sr. deve aguardar, eu bato o telefone e desligo o rádio porque não aceito mais essa deformação que está em curso na pobre língua pátria, vítima de tantas agressões.

De tanto eu insistir, até o nosso genial Pasquale Cipro Neto já abordou a questão em suas tão elucidativas colunas na Folha.

Numa delas, deu exemplos, como: "O senhor pode estar fornecendo o número do cartão?", "Vou precisar estar marcando uma reunião", "Um minuto, que vou estar verificando".

E me contou que, num dia em que perdeu a paciência e perguntou por que a pessoa do outro lado da linha não dizia simplesmente "vou verificar" em vez de "vou estar verificando", ouviu a seguinte pérola: "Porque essa é a maneira correta de estar falando português".

Tudo bem, ao longo dos anos a gente vem aguentando "poblema". "pobrema", "nóis vai", "solvete", "pograma", "muié", "cumê", "durmi" etc. Afinal, como diria o Manuel Bandeira, essa é a "língua certa do povo", e esse povo é inculto mesmo.

Agora, ter que ficar aturando uma enxurrada de gerúndios desnecessários e enervantes, que só servem para desvirtuar a musicalidade e a eficiência de nossa língua, aí já é demais.

Principalmente porque essa mania contaminou gente de um certo nível escolar: secretárias, atendentes de telemarketing, funcionários de empresas de cartões de crédito, serviços de informação em geral e até um ou outro radialista. Ou seja, gente que deveria saber e poderia falar corretamente.

Mas que acha chique a forma composta "vou estar", certamente oriunda de manuais em inglês que propugnam o "I will be" qualquer coisa.

Agora chega, não fico mais quieto diante desse mal.

Abaixo o gerúndio!

*

E besteirol por besteirol, lá vamos nós para a seleção desta semana, que, como sempre, procura oferecer ao internauta um pouco de diversão com o que circula de bobagens pelos e-mails da vida. Eles continuam chegando e há para todos os gostos no Besteirol da Internet.

Como as frases machistas para enfeitar camisetas, o filminho do chiclete, a propaganda do desodorante, a resposta de um engenheiro à pergunta: Papai Noel existe?; os novos disfarces do Lalau, o perigo das cirurgias plásticas, e o último recurso na hora do casamento.

Clique na palavra assinalada e divirta-se.

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