Pensata

Luiz Caversan

15/11/2003

Liana e Felipe

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Liana e Felipe eram jovens, bonitos, carinhosos.

Enfrentavam a vida com disposição, alimentavam seus sonhos com esperança.

Eram "do bem", amavam-se e, por isso, como todos os jovens apaixonados como eles, precisavam muito estar juntos e sós.

Talvez por conta da embriaguez própria da paixão, não suspeitaram do perigo.

Talvez por causa daquela necessidade de estar juntos e sós, de esquecer do mundo "lá fora", de se isolar para que uma suposta plenitude do amor fosse possível, deixaram de lado conselhos, cuidados, precauções.

E encontraram Champinha no meio do caminho.

Ao contrário dos dois, Champinha é um adolescente "do mal". Facínora, cruel, violento. Pelo que tudo indica, não tem limites no seu instinto destruidor.

Outros homens participaram do pavoroso crime que levou a morte até Liana Friedenbach, 16, e Felipe Silva Caffé, 19.

Mas é emblemática demais a presença nessa história de Champinha, aparentemente o principal articulador das crueldades e dos assassinatos.

Tão parecidos e tão diferentes, vítimas e algoz.

Será que foi a imprudência dos dois que os levou até Champinha, como querem alguns, ou esse encontro poderia ter ocorrido e também redundado em tragédia num farol de trânsito, numa esquina escura, na saída de uma "balada"?

Impossível saber.

O certo é que essa espécie de contaminação que apodrece as beiradas da sociedade (beirada essa excluída pela força centrífuga da concentração de renda da parte "sã", diga-se) está cada vez mais ativa e próxima.

E nós, pais ou filhos que buscamos sobreviver decentemente, mais apavorados, vulneráveis, impotentes.

Luiz Caversan, 54, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve aos sábados para a Folha Online.

E-mail: caversan@uol.com.br

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