Luiz Caversan
Liana e Felipe
Liana e Felipe eram jovens, bonitos, carinhosos.
Enfrentavam a vida com disposição, alimentavam seus sonhos com esperança.
Eram "do bem", amavam-se e, por isso, como todos os jovens apaixonados como eles, precisavam muito estar juntos e sós.
Talvez por conta da embriaguez própria da paixão, não suspeitaram do perigo.
Talvez por causa daquela necessidade de estar juntos e sós, de esquecer do mundo "lá fora", de se isolar para que uma suposta plenitude do amor fosse possível, deixaram de lado conselhos, cuidados, precauções.
E encontraram Champinha no meio do caminho.
Ao contrário dos dois, Champinha é um adolescente "do mal". Facínora, cruel, violento. Pelo que tudo indica, não tem limites no seu instinto destruidor.
Outros homens participaram do pavoroso crime que levou a morte até Liana Friedenbach, 16, e Felipe Silva Caffé, 19.
Mas é emblemática demais a presença nessa história de Champinha, aparentemente o principal articulador das crueldades e dos assassinatos.
Tão parecidos e tão diferentes, vítimas e algoz.
Será que foi a imprudência dos dois que os levou até Champinha, como querem alguns, ou esse encontro poderia ter ocorrido e também redundado em tragédia num farol de trânsito, numa esquina escura, na saída de uma "balada"?
Impossível saber.
O certo é que essa espécie de contaminação que apodrece as beiradas da sociedade (beirada essa excluída pela força centrífuga da concentração de renda da parte "sã", diga-se) está cada vez mais ativa e próxima.
E nós, pais ou filhos que buscamos sobreviver decentemente, mais apavorados, vulneráveis, impotentes.
![]() |
Luiz Caversan, 54, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve aos sábados para a Folha Online. E-mail: caversan@uol.com.br |
