Luiz Caversan
Gente nova, mundo novo
Antonio chegou há exatamente uma semana. É uma vidinha minúscula, mas já revela seus traços e um jeitão todo especial, que deixa pai e mãe, amigos queridos, embevecidos.
Fui ver o Antonio e fiquei um pouco ali, silenciosamente, observando o pequenino ser que acabara de desembarcar nesta nau sem rumo, que é o nosso planeta.
Como que num filme acelerado, projetei rapidamente todo um universo de possibilidades para o Antonio, suas realizações, conquistas, batalhas, superações.
Confesso que a fragilidade daquele garotinho, tão angelical nos seus lençóis assépticos, me inquietou um pouco.
Nós temos o deplorável vício de, em geral, ver o mundo por intermédio de nossas possibilidades mais restritas, e estas necessariamente incluem os medos e as frustrações.
Daí minha preocupação paternal com o futuro do Antonio.
O que será de suas lutas, quais curvas aparecerão em seus caminhos, onde surgirão os obstáculos nesse mundo de tantas e tão variadas agruras?
Puro instinto paternal, como eu disse, uma vez que o horizonte que se abre para o Antonio é, na verdade, magnífico.
Sim, o leitor poderá classificar de otimismo sentimental ocasionado pela deliciosa visão de um bebezinho fofo, mas há de admitir que nunca houve um aparato tecnológico tão fantástico à disposição da humanidade, de maneira que, apesar de sua histórica turrice, essa mesma humanidade possa caminhar para uma revolucionária mudança de postura.
O desenvolvimento da ciência voltada para a saúde, a evolução dos transportes, o universo inacreditável das comunicações e da informática, as possibilidades do controle e aprimoramento dos alimentos (sim, há um "lado bom" na biogenética), a sofisticação do entretenimento e os novos recursos para a educação.
Tudo isso, acontecendo ao mesmo tempo e na rapidez tal qual ocorre hoje, é completamente novo; tudo isso, ainda mais evoluído, estará à disposição do meu novo amiguinho, o Antonio, na sua jornada.
Ele, assim como as gerações que o sucederão, tem a chance inédita de consertar e melhorar tudo o que fizemos de errado até agora.
Que leve, na sua trajetória, a nossa esperança de um mundo melhor.
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Luiz Caversan, 54, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve aos sábados para a Folha Online. E-mail: caversan@uol.com.br |
