Luiz Caversan
Mulheres, mulheres
Nasci e fui criado em meio a mulheres. Mãe, irmãs, primas, tias, amigas das irmãs, clientes das irmãs cabeleireiras. Enfim, muitas mulheres. Nada dessa vivência, porém, ajudou muito a aprender a entender melhor as mulheres. Quando o assunto é esse, o misterioso universo feminino, digo que só sei que nada sei.
Já tive a oportunidade de contar a analistas e/ou psicólogos que, bem pequeno, ficava sentadinho no balcão da cabeleireira de minha irmã mais velha segurando, abertos nos dedos, os grampos que ela ia colocando no cabelo das clientes. Como eram tempos de coques, penteados armados e modelagens mil, muitos grampos passavam pelas minhas mãos, e o cheiro de laquê era farto, inebriante.
Os psicanalistas e/ou psicólogos adoram ouvir essa história, vão rapidinho em busca de todas as possibilidades de intervenção que esse tipo de contato estreito, e ao mesmo tempo proibitivo, com o "mondo femminile" (afinal, eram irmãs, tias...) exerceu no meu caráter, na minha sensibilidade, na sexualidade.
Eu mesmo, durante muito tempo, procurei ali, nas raízes da minha formação, meios de me aproximar um pouco mais do inesgotável manancial de emblemas, símbolos e significados próprios que une e aproxima as mulheres do mundo --em geral as coloca em oposição aos homens.
Talvez tenha alcançado algum êxito, em muitas oportunidades no entanto me convenço de que não nos será dada nunca, a nós homens, a graça de compartilhar da riqueza de particularidades que conferem ao mundo feminino características únicas.
Não diria que são melhores que as dos homens, mas encantadoramente únicas.
Obviamente alguma feminista fará leitura crítica dessa minha postura e nela encontrará um fundo oportunista e/ou machista. Ok, corro o risco. Assim como me exponho à possibilidade de ser classificado como traidor ou no mínimo de condescendente pelos companheiros do mesmo gênero.
Não importa, uma vez que faço agora uma opção bem clara por encarar a progesterona de frente (ou lado a lado), com TPM e tudo.
A sensibilidade feminina me encanta e pretendo, na vida que me resta, humildemente aprender o mais que posso sobre ela.
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Luiz Caversan, 54, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve aos sábados para a Folha Online. E-mail: caversan@uol.com.br |
