Pensata

Luiz Caversan

04/10/2003

Por que não nos entendemos?

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Homens adoram mulheres, embora não as entendam. Mulheres querem os homens, embora muitas vezes (ou quase sempre) os odeiem.

O que há?

Por que tanto estranhamento?

Por que eu quero, você quer e não rola?

Pior: por que eu quero, você não?

Ou você insiste, e eu prefiro ficar aqui no meu cantinho, esperando sabe-se lá o quê?

O medo da rejeição, que muitos traduziriam tranquilamente como medo de amar, é um dos males modernos. Determina as vicissitudes, tumultos, idas e vindas das relações.

Ou menos: das tentativas de relacionamentos que poderiam melhorar, muito, as nossas vidas.

Felizes os que se dão porque se dão.

Ou porque sabem receber, essa arte que carece urgentemente de um renascimento.

Fala-se muito que o homem está mudando, deixando um pouco de lado seu papel de provedor eterno, para cuidar-se mais, preservar-se mais, amar-se mais.

E as mulheres?

Elas avançam incontinenti sobre o terreno abandonado, conquistam castelos e frotas e comandos. E já começam a se dar por insatisfeitas.

De que vale tudo isso se você não está aqui?

(Roberto Carlos sempre soube de tudo das coisas do amor.)

Novos paradigmas estão no ar.

O homem talvez não saiba, mas quer comer menos e saborear mais. Chega de ser o lobo peludo e voraz.

A mulher sempre soube; quem dera agora finalmente consiga fazer valer a sua infinita bondade e delicadeza, milhares de milhões de partos depois, para que a gente se entenda um pouquinho mais?

Luiz Caversan, 54, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve aos sábados para a Folha Online.

E-mail: caversan@uol.com.br

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