Luiz Caversan
Carnaval, economia e cultura
Depois da overdose de 450 anos de São Paulo, nada como uns dias no Rio de Janeiro para desanuviar.
Fugi das chuvas de São Paulo, apanhei bons dias de Sol no balneário mais bonito do país, agora a chuva também dá o ar de sua graça por aqui.
Nada que impeça, porém, essa cidade de realizar duas de suas vocações mais notáveis. Acolher turistas e brincar o Carnaval.
O perfil turístico do Rio será a sua "salvação". Isso sabem todos os que entendem um pouco de economia ou que acompanham a estagnação econômica da cidade há algum tempo.
Mas à beleza e recursos naturais e à infraestrutura que bem ou mal já existe e pode receber gente de todo o mundo, com seus dólares e euros, ainda há os cariocas renitentes que não aceitam essa vocação da cidade, e pemanecem encarando o visitante como um invasor, que não tem nada a ver com o "meu Rio".
Questão de tempo e de sobrevivência, esse tipo de atitude tende a se dissipar. O turista bem tratado e bem acolhido é um parceiro econômico fundametal. Basta ver o que acontece na Espanha ou na França, por exemplo.
Quanto à outra característica, a da alegria carnavalesca, boas novas por aqui.
É fácil perceber que está ocorrendo uma espécie de fenômeno de renovação na cultura do Carnaval.
Novidades como o Bloco do Boitatá (com isntrumentos e músicas diferentes), a Orquestra Imperial (animada por Moreno Veloso e que realizou um grande baile cheio de gente bacana no Canecão) ou as moças da bateria do Monobloco (bateria essa que está inovando mesmo o conceito de ritmo de bloco de rua) estão mobilizando milhares de pessoas dando um colorido novo à animação que percorre a cidade nestes dias pré-folia.
É diferente, saudável e culturalmente importante que haja essa movimentação musical e que isso tenha a ver com a melhora da auto-estima dos cariocas e de quem vive nesta cidade.
Um contraponto feliz à violência e à dureza do dia-a-dia, que aliás, e infelizmenbte, não é uma exclusividade carioca.
Sorte do Rio, porém, que haja a natureza e a alegria do povo a seu favor.
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Luiz Caversan, 54, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve aos sábados para a Folha Online. E-mail: caversan@uol.com.br |
