Pensata

Luiz Caversan

06/03/2004

Luiz Caversan: Mais mulheres

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E eis que chega mais um Dia Internacional da Mulher, e nos vemos aqui gratamente obrigados a reverenciar amigas, companheiras, filhas, mães, colegas, chefes, colaboradoras, queridas em geral.

Eu acredito que, mesmo que passemos o resto de nossas vidas homenageando as mulheres, ainda estaremos em débito com elas por conta de todas as injustiças cometidas pelos homens ao longo da história, uma história na verdade de domínio, controle, arbitrariedade, violência e submissão que começou a mudar muito, muito recentemente, estando longe, ainda e infelizmente, do que seria minimamente ideal.

Veja o relatório da Anistia Internacional divulgado há pouco, justamente por conta deste Dia da Mulher: 47% das mulheres tiveram sua primeira relação sexual à força, 70% das mulheres assassinadas foram mortas por seus parceiros, uma em cada cinco mulheres do planeta será vítima ou sofrerá tentativa de estupro, nada menos que 1 bilhão de mulheres (um terço da população feminina do mundo) já foram espancadas ou submetidas a algum tipo de abuso, inclusive sexual.

Isso tudo sem falar que são vítimas de tráfico, de prostituição forçada, de trabalho escravo...

É muita maldade para com o chamado "sexo frágil". Que aliás de frágil não tem nada, porque, apesar de ter de suportar toda essa sorte de adversidades cometidas por seus "companheiros", ainda assim avançam em suas conquistas, obtêm respeito para sua diversidade, bem ou mal obrigam o homem ao menos a admitir sua existência diferenciada, muitas e muitas vezes suplantado o gênero oposto em competência, perseverança e caráter.

"Elas sorriem quando querem gritar.
Elas cantam quando querem chorar.
Elas choram quando estão felizes.
E riem quando estão nervosas.

Elas brigam por aquilo que acreditam.
Elas levantam-se para injustiça.
Elas não levam "não" como resposta
quando acreditam que existe melhor solução."

Esses versos de Pablo Neruda, muito a propósito enviados pela leitora Alba Prado, dão bem a medida de sua infinita complexidade.

Complexidade tal que a brutalidade e a soberba masculina muitas vezes impedem que sejam adequadamente compreendidas, mas que jamais deve justificar o fato de serem desrespeitadas.

Luiz Caversan, 54, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve aos sábados para a Folha Online.

E-mail: caversan@uol.com.br

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