Luiz Caversan
De guerras e "pitboys"
De passagem por uns dias pelo Rio de Janeiro, sou inteirado do mais recente fenômeno desta cidade plena de eventos sociais, em geral inovadores --do topless ao arrastão nas praias, quantas modas por aqui surgiram? Mas eis que está ocorrendo uma verdadeira guerra contra um tipo de ser urbano denominado "pitboy"
--mescla do cão feroz chamado pitbull com "boy" (rapaz, em inglês).
O resultado é um ser semi-humano, fisicamente avantajado, fortíssimo, ignorante e, sobretudo, violento, muito violento. Em geral oriundos de famílias comuns da classe média da zona sul carioca, costumam praticar lutas marciais e se exercitam de uma forma no mínimo peculiar: dando porrada em pessoas inocentes, em geral escolhendo aleatoriamente suas vítimas.
Pouco tempo atrás, quatro desses rapazes arrumaram uma confusão numa boate carioca e deixaram um jovem policial que ousou tentar apartar a briga com nada menos 50 pontos no rosto.
Logo em seguida, outro desses valentões esfaqueou pai e filho numa festa.
E, há poucos dias, uma dupla deles (irmãos e, pasmem, advogados) também partiram para a ignorância (como se dela algum dia tivessem saído) e, como os demais, acabaram presos.
Essa, na verdade, é a novidade em relação aos novos bandidos, cuja proliferação tem aumentando nos últimos dois anos: estão agora sendo identificados, procurados e detidos pela polícia. O que permitiu o contato com um outro fator social interessante: o aparente desconhecimento dos pais em relação a seus filhos.
Dia desses foi no mínimo constrangedor ver aquele casal aturdido, completamente perdido, procurando argumentos para defender o filho preso depois de trucidar o policial. Para os genitores, trata-se de um rapaz bom, trabalhador, carinhoso, estudioso etc., etc., etc. Incapaz de uma violência daquelas...
Desfaçatez ou total desconhecimento dos seres que eles próprios criaram? Como disse o jornalista Luiz Garcia, não serão eles próprios "pitpais"? OK, a sociedade reage e o fenômeno aparentemente está sendo enquadrado.
Mas o fato de "gente de bem", com boa formação, vida saudável, futuro aparentemente garantido, dar-se a esse tipo de atitude troglodita é que causa indignação e chama a atenção para uma diluição de valores básicos, fundamentais.
Na verdade, é desalentador. Mais uma pequena prova de que é preciso muita disposição para continuar acreditando e propugnando uma cultura de paz...
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São esses fenômenos próximos que nos afetam mais. Mas não podemos deixar de nos indignar com manifestações de barbárie que aparentemente não nos dizem respeito. É o caso da hedionda cena dos americanos trucidados e queimados, cujos restos foram expostos à execração dos iraquianos rebelados.
Além de fornecer novos motivos para que os americanos endureçam ainda mais sua ação indefensável no Iraque, são demonstrações inequívocas da involução humana, que devem ser condenadas com veemência por quem acredita minimamente na inteligência humana.
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Foi surpreendente a reação dos leitores ao convite feito aqui na semana passada, para que fossem enviados relatos sobre a vivência de episódios de depressão. Dentre mais de uma centena de e-mails, nada menos que 84 leitores mandaram textos, em geral comoventes, sobre a dura experiência de ver-se em meio aos dissabores desse transtorno afetivo, que tantas vidas atormenta.
Agradeço a todos a colaboração, que será muito útil num futuro trabalho sobre a depressão.
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Luiz Caversan, 54, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve aos sábados para a Folha Online. E-mail: caversan@uol.com.br |
