Luiz Caversan
Mulheres frágeis
Por causa de uma reportagem que desenvolvi para a Folha, tive esta semana experiências que mexeram demais com o coração. A pauta era, em si, delicada: mais mulheres estão procurando tratamento para tentar se livrar do vício de consumir drogas e álcool.
Por conta disso, entrevistei especialistas e, principalmente, mulheres dependentes químicas.
Os muitos aspectos relacionados ao problema estão na tal reportagem, que sai na Folha por esses dias. Mas o que mais me chamou a atenção, e que deixei para abordar aqui, foi o seguinte: paradoxalmente, as mulheres com quem conversei, todas jovens maduras, na faixa dos 35 anos, eram muito, muito inteligentes.
Como é que pode, não é, alguém inteligente se entregar a um martírio sem fim, ao tortuoso e desagradável, destruidor e nefasto caminho do dependente da cocaína?
Não se trata aqui de consumidoras eventuais, festivas, aquelas que cheiram uma carreirinha na festa para alegrar o fim de semana _com todos os malefícios que também isso possa causar, como por exemplo alimentando o tráfico e a criminalidade.
Não, eram moças dependentes, que consomem muita cocaína, que interromperam suas carreiras, que viram suas famílias destruídas ou enredadas num sofrimento enorme, moças que buscam desesperadamente retomar o domínio de suas próprias vidas.
E eram moças sensíveis, extremamente sensíveis, e todas elas, as cinco com quem falei, delicadas, gentis, perspicazes e perfeitamente conscientes da 'cilada' em que a vida lhes enfiou.
A mesma vida, aliás, que não permitiu que elas conseguissem entender adequadamente tudo o que lhes cerca, que lhes colocou no caminho desafios e obstáculos aparentemente intransponíveis. Ou, para usar as palavras de uma delas, a mais jovem e mais interessante, a vida que não permitiu a elas, por serem pessoas especiais, resolverem os enigmas da existência e dar conta de controlar o mundo que as cerca.
Impossível não sentir solidariedade e apreço por essas pessoas que se perderam de si mesmas na busca de um eu aparentemente profundo e arredio.
Um eu que está, elas não conseguem perceber, ao alcance da mão, mas às vezes tão longe, tão longe.
Quem nunca se sentiu assim alguma vez na vida?
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A coluna da semana passada, 'Homens Sensíveis', deu pano para as mangas. Tanto que foram inúmeros os e-mails de leitoras e leitores palpitando a respeito.
Publico a seguir, mantendo a forma e a linguagem originais, as mensagens que julguei mais pertinentes, para quem quiser saber o que o povo pensa:
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Oi Luiz,
Leio seu artigo do Pensata e me pego rindo com os paradoxos. Enquanto as mulheres incorporam um discurso 'matador', constato entre os homens um 'pseudo discurso sensível', que também virou chavão, tipo: 'adoro mulher independente, bem resolvida mas... (tem sempre um mas, né?) se puder disfarçar e não ficar esfregando toda esta independência na nossa cara é melhor!' (risos)
Pérolas colhidas nos discursos dos moços: ' mulher tem de ser safada, mas discreta (o velho chavão... uma lady em público...); 'detesto me sentir menos culto, menos experiente sexualmente, perceber que ganho menos que a parceira...'
As meninas reagem: ' Estes caras são complicados... (melhorou, antes este era um atributo feminino, risos), se demonstramos segurança eles retraem, se mostramos carência eles fogem, o que estes homens querem??'
A todos recomendo que escutem 'Comida' do Titãs, tiro certo na ambivalência.
O que fica disto tudo para mim é uma sensação de que há um desconcerto, um desconforto, todos idealizando muito. A nova versão dos príncipes e cinderelas inclui tantos 'opcionais de fábrica' que não cabe no conto de fadas que tentam escrever.
Nota de rodapé: nas arqueologias que faço na net descubro um blog ótimo, humor em doses cavalares e uma boa medida dos discursos femininos que andou lendo nos chats, se ainda não conhece, recomendo: http://coisaswebisticas.zip.net
Claudia
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Tive a oportunidade de ler sua coluna e achei interessante o que você escreveu. Moro no Japão ha sete anos. Leciono inglês para japonês na faixa etária entre cinco a sessenta anos. Durante este tempo tive a oportunidade de aprender bastante a respeito de como funciona a sociedade Japonesa. Minha esposa e Japonesa e moro com os sogros, que por sinal são 100% Japoneses.
Quando você tiver a oportunidade diga a mulherada brasileira para vir ao Japão que elas iram encontrar machos do tipo que estão sempre indo para os botecos após o trabalho a procura do saque e das mulheres que trabalham nos Snacks japoneses. Machos do tipo que voltam para casa após a meia noite, bebados e que tao pouco tomam banho e tao pouco se barbeiam antes de dormir. Machos do tipo que fazem das mulheres escravas ou melhor objetos.
Caso a mulherada brasileira de hoje sente falta deste tipo de homem que habitou o Brasil a uns trinta e cinqüenta anos atrás, que sempre tratou as mulheres como objetos. Por aqui tem muitos deste tipo de homem metido a machao, e que talvez poderá ajuda-las a descobrir o que e Pain in the Butt... to live with this kind of men.
Concordo que de vez em quando a mulherada precisa de uns tapas no traseiro, e uma pulada de cerca também ajuda no relacionamento de um casal.
P.H.
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Transar é bom demais, mas não exclui detalhes imprescindíveis à relação: receber convites com flores, abrir a porta do carro, olhar sorrateiramente de lado, atentar para aquela fenda propositada, e, depois de um bom vinho, ouvir Garcia Lorca bem baixinho, enquanto os botões se vão. Ao descanso encantado, nada melhor que abraços e beijos cúmplices, e uma gostosa massagem... Talvez isso não combine com boys sarados fabricantes de tesão nem siliconadas super fashion, mas quem experimentou é para sempre.
Um brinde a gentileza, ao toque e à graça
Beijo, Líris
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'Homem tem mais é que ser macho, bom de cama, dar conta do recado sempre. Homem que chora é um saco. Homem que se preocupa com o futuro da humanidade não é bom de cama. Homem que é gentil, educado e cavalheiro enche logo, porque atrás disso vem uma série de 'defeitos', como carência, fragilidade, introspecção. Homem sensível, se não for completamente, é sempre meio bicha.'
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Querido Luiz Caversan
Isso realmente é um absurdo, só faltou elas dizerem que 'homem pra ser macho tem que dar porrada'. Infelizmente eu acho que o Brasil, apesar de toda uma fachada de país liberal, está há anos luz de tal fato. O que falta nesse país é muita cultura, e amor próprio para a maioria das mulheres, que ainda se intitulam sexo frágil.Aí quem sabe algum dia elas possam compreender que a parte o sexo de cada um, somos seres iguais e que diante disso, qualquer convenção social deveria ser bobagem. Beijos de sua leitora
Graziela
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Caro Luiz,
Li o seu texto e puxa vida, somos nós as mulheres que perpetuamos o machismo e não os homens que o criou. não existe verdadeiramente uma relação entre sensibilidade e desempenho sexual, isto é puro preconceito. pelo que vc expôs em seu texto parecem que elas pouco compreendem sensibilidade, confundindo com opção sexual que é deveras diferente.
Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. O fato é que antropologicamente determinou-se que sensibilidade é atributo do feminino e até hoje não paramos de acreditar nisso. Todos nós somos feito de anima e animus independentemente de sermos homens ou mulheres. O que falta é um equilíbrio maior entre estes dois opostos que não são verdadeiramente opostos e sim se complementam. Não há um sem o outro. E um homem que tenha um anima mais desenvolvido não é necessariamente homossexual e muito menos ruim de cama. o que determina esse tipo de coisa, definitivamente, não é a sensibilidade. e o que há de errado com o homem chorar? porque os coitadinhos devem se privar desse ato humano e intrínseco? talvez para ficarem com dores musculares, ou gastrites, etc, por terem que compulsivamente segurar o choro desde muito pequenos. e o mito de que mostrar suas emoções seja demonstração de fraqueza. a fraqueza ou a força não está nas emoções e sim na maneira com que lidamos com elas. no grau que permitimos nos levar por elas( as emoções) ou no quanto conseguimos compreendê-las verdadeiramente para então agirmos da maneira mais apropriada. na minha opinião, o que está faltando neste mundo moderno e high-tec é sensibilidade, compaixão. falta um olhar verdadeiro para o outro, numa tentativa de realmente conhecermos o outro e um profundo respeito pelas diferenças. o que é bem difícil pois demanda autoconhecimento.
Well, só posso lastimar por estas mulheres equivocadas e confusas.
Fábia
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A questão é que a TV não mostra livros, né, Luiz?
Essa gente não lê. Só assiste novelas.
Essa gente não pensa. Só sonha com uma vida de Darlene e Jacqueline Joy.
Ai, que saudades do Raul!
Naquele tempo, eu tinha que cantar o Hino Nacional, quando o Médici visitava a escola... e eu era feliz!
Naquele tempo se pensava.
Hoje acho tudo muito chato e, a burrice, virou paixão nacional!
Abraços, Gisele
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Prezado colunista,
Como fiel acompanhante de sua coluna, espantou-me ver a maneira como tratou de um assunto tão na moda como costuma-se dizer, mas ao mesmo tempo tão banal. Explico o porquê da banalidade. Vamos colocar o dedo na ferida, certo? Mulher não gosta de homem sensível, nem de homem machão. Mulher gosta de homem seguro de si, de preferência com muita grana. Mulher não se interessa por problemas pessoais alheios, elas se importam com seus problemas. E para resolver esses problemas, acabam por buscar um companheiro que lhes permita solucioná-los. E qual o grande problema hoje em dia, em tempos consumistas de cultura capitalista selvagem? Grana!!! Então, é isso que a mulher busca em um homem, normalmente. Isso pode parecer extremamente machista, mas não é. É a pura realidade dos fatos. Esse quesito preenchido, aí cada mulher procura saciar suas demais necessidades. Mas uma coisa é certa, a maioria delas certamente vai optar por alguém que não a incomode demais. É o sinal dos tempos. As pessoas estão cada vez mais ensimesmadas. Não é preciso dizer que o romance acabou, que o amor romântico acabou, que o modelo de relacionamento anteriormente constituído e aceito está dia a dia indo pro buraco. Isso é fato. E também nem precisamos nos questionar se isso é bom ou ruim. É como nos questionar se é bom ou ruim existir, ser humano, etc.. Está fora de nossas mãos esse tipo de decisão. O ideal seria, creio eu, realizar um estudo para verificar o quanto as pessoas já se enxergam vivendo nesse 'novo' modelo de relacionamento. O novo está entre aspas, porque não há nenhuma novidade, certo? Esse foi o modelo de relacionamento contra o qual as mulheres lutaram tanto contra durante tanto tempo. E para quê? Para cair na dura realidade que o modelo contra o qual lutaram é exatamente o modelo que elas continuam preferindo. A diferença? A diferença é que agora elas 'escolhem' quem será seu companheiro. E que dura escolha é essa, não?!? Eu, particularmente, prefiro ficar de fora, apenas observando e tirando proveito de todo o circo. A mídia semeia e quem tem bons olhos acaba colhendo. No fim, o que importa mesmo é o quanto de prazer se pode obter, e com tantas cabecinhas confusas por aí, isso não fica nada difícil.
Um grande abraço,
Giu.
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Homens sensíveis... creio que é tudo que uma mulher romântica espera, somente com ele é possível surgir um amor puro, mas porquê será que as mulheres sempre procuram os cafajestes, bons de cama? Talvez pela coerção que a sociedade exerce, os bons rapazes não são os mais bonitos, mais atraentes e mais paquerados... isso não significa que os bons de cama sejam feios, mas eles sabem lidar com a libido feminina, sabem se aproveitar da situação, lidam como mestres com sonhos de garotas românticas. Tudo o que uma mulher romântica espera de um homem é que ele seja romântico, gentil, carinhoso, que a compreenda, que seja uma pessoa normal, isso significa que ele tenha carências, momentos de solidão, chore, sofra... Mas porque não querer viver um filme?
Creio que o filme Lisbela e o Prisioneiro expressa exatamente o que uma garotinha de família sonha... com heróis, mocinhos e bandidos... com isso, acaba transportando suas ilusões para a vida real, sempre na intenção de viver um filme, graças a isso se envolve com os piores homens, aqueles do tipo safado, sem eira nem beira, mulherengos... bons de cama... Sabe o que é o pior disso? Depois nós mulheres sonhadoras reclamamos de nosso destino, é mole?
Beijocas
Luciane
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......sensíveis, machos, chorões ou matadores de cobras sempre existiram. Creio que a novidade é o fato das mulheres ousarem um outro olhar sobre esses tipos todos e, principalmente, se colocarem como seres desejantes deste ou daquele tipo.Claro que mulheres num chat, protegidas pelo anonimato e furiosas por razões diversas, não sào representativos da população feminina deste país. Mas, sabe que ando observando e me assustando com algumas posturas de mulheres que parecem começar a querer negar a feminilidade da qual foram marcadas, deformadas, educadas?! Talvez, o desejo deste macho feito objeto para elas seja uma maneira sutil de dizerem não a toda uma situação atual de sobrecarga de trabalhos, de responsabilidades e de inseguranças. Às vezes, mesmo me sentindo instigada por homens sensíveis, bem-humorados, inteligentes, pego-me desejando viver a condiçào de 'madame', obedecendo ordens e me deixando levar por um brutamontes? É....somos, nós, homens e mulheres, fascinantes por conta destas contradições permanentes. E vc soube colocar duas letras de música que se atualizam neste momento....Vozes que discordam, vozes que denunciam, vozes que ousam. Viva Raul! E vc, é homem sensível?
Beijo
Cássia
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Luiz Caversan, 54, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve aos sábados para a Folha Online. E-mail: caversan@uol.com.br |
