Luiz Caversan
Orkut, carências e amigos
Quem vive conectado à internet, por diversão ou necessidade, certamente sabe o que é. Boa parte deve ter aderido à moda, outros terão contato com ela e ficarão tentados a adotá-la. E muitos vão, como sempre, achar uma tremenda bobagem.
Mas ninguém mais pode ignorar o fenômeno Orkut, o espaço virtual em que as pessoas renovam amizades e fazem novos amigos (www.orkut.com).
Na verdade é um ambiente na rede mundial de computadores como outros. Mas, neste caso, a moda pegou. E pegou muito. E pegou por aqui, uma vez que a maior comunidade presente no Orkut, depois da americana, é a de brasileiros.
É assim: um amigo já está lá no Orkut e te manda um e-mail convidando você a entrar também. Você entra, como amigo desse amigo, preenche um cadastro que será exibido ao mundo dos seus amigos e dos amigos dos amigos para que eles saibam quem você é, o que pensa de você mesmo e de um monte de outras coisas: o que lê, assiste, escuta, do que gosta de verdade e o que quer da vida, se é solteiro, viúvo, branco, preto, jazzista, urbano ou fumante.
Sua foto ficará ao lado das dos amigos do seu amigo e você começará a receber muitos convites para integrar outras galerias, de outros amigos.
A coisa vai se multiplicando rapidamente, e quando você mesmo esperar estará fazendo parte de inúmeras "turmas", com as quais terá alguma afinidade, mas em geral muito pouca ou nenhuma intimidade.
Mas o que realmente chama a atenção é a quantidade de gente que começa a se aproximar mais, querer se aproximar um pouco, a procurar, enfim, algum tipo de aproximação.
Todos cheios de amor para dar...
Mas, resistir à possibilidade de não estar só, quem há de?
Nem que seja apenas para dizer que gosta de rock e se veste casual e se acha cool...
Esta semana aprendi duas coisas: 1 - em todo e qualquer barco em movimento entra água, por mais vedado que ele esteja; a não ser que o barco fique amarradinho lá no cais, a vida vai fazer com que de uma maneira ou de outra haja respingos com os quais você vai ter que conviver.
2 - as coisas se tornam mais simples, ou pelo menos explicáveis, se você consegue, nos momentos de decisão, incorporar o olhar do outro, ou seja, tentar enxergar um pouco mais além do horizonte delimitado pelo seu egoísmo, por suas limitações, até mesmo por suas paixões.
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Luiz Caversan, 54, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve aos sábados para a Folha Online. E-mail: caversan@uol.com.br |

