Pensata

Luiz Caversan

14/08/2004

Só motoristas e passageiros

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_"O medo da rejeição, que muitos traduziriam tranqüilamente como medo de amar, é um dos males modernos.

Determina as vicissitudes, tumultos, idas e vindas das relações.

Ou menos: das tentativas de relacionamentos que poderiam melhorar, muito, as nossas vidas.

Felizes os que se dão porque se dão.

Ou porque sabem receber, essa arte que carece urgentemente de um renascimento"_

Escrevi isso um ano atrás, e esses sentimentos voltam à idéia por conta de observações agudas da realidade que nos cerca: ainda continuamos, que droga, com uma dificuldade imensa para aprender a amar.

Eu quero um mundo só de motoristas e passageiros, sem cobrador, disse uma amiga, e repete sempre outra, muito querida.

Eu também quero, mas as incertezas, as inseguranças, os medos muitas vezes transbordam sem que tenhamos a dimensão de que aquilo que queremos ouvir não pode ser solicitado: seria, claro, uma cobrança, certo?

Aí que a porca torce o rabo.

A generosidade de saber ouvir é um dom que ainda temos dificuldades imensas para exercitar.

De certas maneiras como são ditas, palavras, nos momentos difíceis das relações, cortam profunda e agudamente.

Quando os medos e as incertezas afloram, eis aí um paradoxo, a palavra dói, mas o silêncio também pode sufocar, instigar ainda mais a ansiedade.

O que fazer?

Eis a questão...

Talvez submergir nas profundezas de nossas limitações.

Sabe, aquelas limitações que nos tornam maravilhosamente ou insuportavelmente únicos?

Estranho: um sábado tão lindo e de tantas indagações...

Luiz Caversan, 54, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve aos sábados para a Folha Online.

E-mail: caversan@uol.com.br

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