Pensata

Luiz Caversan

11/09/2004

O amor é lindo

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Ele abriu os olhos e ela estava ali, muito perto.

Podia sentir sua respiração, mas ele não tocou suas faces, como desejou irresistivelmente.

Resistiu.

Era muito bom ter ao alcance das mãos o que procurou a vida inteira.

Alguém para estar justamente ali, ao lado. Nem à frente nem atrás, tampouco acima, muito menos abaixo: exatamente ao lado.

Fitou que fitou o semblante sereno de quem nada tinha a temer.

Ela estava segura, protegida, e ninguém melhor do que ele sabia disso. Porque essa era sua missão na terra, na vida, daqui pra frente: cuidar direitinho para que ela pudesse estar ali, ao seu lado, tornando todas as manhãs melhores, todos os dias desejáveis e tudo o que viesse pela frente absolutamente viável.

Era isso: ela, ali, apenas ali, tornava o mundo muito fácil de compreender e enfrentar.

A vida, por um momento, tornou-se resolvível como nunca fora.

E ele então fez o que desejou profundamente, agora não resistiu mais: apenas velou o sono, quieto e convencido de que tudo valia a pena.

Óbvio, porém lindo, o amor...

Pensou nessa bobagem e depois também dormiu, feliz.

Luiz Caversan, 54, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve aos sábados para a Folha Online.

E-mail: caversan@uol.com.br

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