Luiz Caversan
Amigos verdadeiros
Fazia tempo que não entrava no Orkut, a comunidade virtual que aproxima pessoas apenas com este objetivo: aproximar pessoas (já escrevi sobre isso tempos atrás, se quiser veja.
Mas o fato é que ao entrar agora no Orkut tive a grata surpresa de saber que não apenas já tenho uma infinidade de "amigos" como atingi a fantástica soma de 100 "fãs"!
Sim, no Orkut, quase todo mundo sabe, você classifica o grau de amizade que mantém ou quer manter em relação a determinada pessoa. Pode dizer, por exemplo, que é fã desta ou daquela.
Pois é, quem diria, tenho uma centena de fãs.
Confesso que não sei bem o que fazer com isso, se devo mudar alguma coisa do meu comportamento para fazer jus a tamanha responsabilidade, se preciso me tornar mais sério e maduro em relação à vida, medir melhor minhas palavras, uma vez que, pelo menos teoricamente, elas estarão repercutindo com mais peso junto a tantas pessoas que me dão o privilégio de olharem atenciosamente para mim.
Se fosse um pouco mais convencido, concluiria que essa platéia toda deveria tornar minha vida mais leve. Porém, mas tendo sempre a achar que preciso justificar conquistas, sobretudo quando ela envolve algum tipo de dedicação ou sentimento alheios.
Obviamente estou, como se diz, "viajando na maionese", claro, porque o Orkut na maioria das vezes nada mais é que uma grande brincadeira, e ser fã de alguém, neste caso, não significa quase nada. Pelo menos sou propenso a achar isso em relação a mim.
No entanto, o que importa nisso tudo é que Orkut, fãs e outros acontecimentos recentes (como a morte de um querido amigo e a decepção em relação a outra) geram mais uma vez a sempre saudável e necessária reflexão sobre o valor das verdadeiras amizades.
Muitos dos amigos que se dizem meus fãs no Orkut são daqueles com quem se pode contar para uma vida inteira, e a simples menção de seus nomes na lista do site já seria motivo de alegria e emoção.
A alegria de saber que sua presença no universo tem significado, sabe como é? Nada a ver com presença física ou valores materiais, mas uma certa tangibilidade do intangível?
A esses amigos e a todos os outros, menos afeitos à internet, mas que trafegam afetivamente no meu coração, dedico a fantástica sensação de generosidade, afeto, preocupação, disponibilidade que a linda manhã de sábado e os "meus queridos fãs" inspiraram.
Olhar a vida com a ajuda dos olhos dessas pessoas é um desafio, uma aventura e um prazer.
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Luiz Caversan, 54, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve aos sábados para a Folha Online. E-mail: caversan@uol.com.br |

