Luiz Caversan
Uma América mais ao norte
Em meio à profusão de sons e luzes, o apelo entusiasmado: mostrem suas luzes para lembrar que na guerra pessoas morrem e crianças são feridas, e que precisamos ser contra isso!
Na penumbra do imenso e moderno ginásio, todos erguem suas tochas pós-modernas e milhares de luzes azuis inundam o ambiente de alegria e esperança, simbolizadas no telefone celular que cada uma daquelas pessoas exibe orgulhosamente acima da cabeça para dizer sim, sou contra guerras e crianças feridas.
Por incrível que possa parecer, estamos na América do Norte. Trata-se de um grande show de hip-hop, mas é uma outra América, bem diferente daquela do Bush ou do Schwarzenegger.
Já faz uma semana que ando descobrindo uma terra maravilhosa de gente simpática e amistosa, o Canadá.
Embora estivesse informado a respeito (minha filha estuda aqui há três anos), há uma surpresa atrás da outra. Primeiro o calor: estamos relativamente perto do círculo polar Ártico, mas a temperatuda deste verão daqui oscila entre os 18ºC e os 38ºC.
Segundo, pernilongos enormes e em quantidade de deixar os do rio Pinheiros em São Paulo morrendo de inveja. E terceiro, o comportamento dos gringos em relação a nós, estrangeiros latinos.
Quem já esteve nos EUA não tem como deixar de se surpreender, porque o que mais se vê por aqui é uma maneira desencanada de encarar a vida, mais tolerância em relação às diferenças e tamb'em mais boa vontade no trato com as pesssoas, num comportamento em geral atencioso e gentil.
Claro, há as exceções que confirmam a regra, e os índios nativos locais vivem reclamando disso, que são discriminados e tal. Mas, no geral, é uma América que nos faz lembrar com satisfação que também somos americanos, que o Novo Continente é apenas um dos lados do planeta e que deveríamos, todos, ostentar uma postura pacifista, alegre e gentil diante do mundo, assim como as pessoas todas no show de hip-hop, aliás maravilhoso e inspirador.
Já gostava de ouvir o som do grupo Black Eyed Peas e ver seus malabarismos nos clipes. Agora, virei fã. Assim como me tornei fã incondicional do Canadá e dos canadenses.
![]() |
Luiz Caversan, 54, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve aos sábados para a Folha Online. E-mail: caversan@uol.com.br |
