Pensata

Luiz Caversan

04/03/2006

New York, Nueva Iorque, Nova York

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Nesta sexta vez na vida em Nova York, a presença mais marcante na principal cidade do país mais influente do planeta ainda é uma ausência, a das torres gêmeas no skyline de Manhattan.

Elas eram vistas de qualquer ponto desta ilha de tantos e tantos imigrantes, e hoje estão representadas apenas pela grande ferida ainda aberta no solo de onde foram arrancadas cinco anos atrás pela força e pelo ódio de um fanatismo que desconhece fronteiras.

Se ainda precisasse de definição, Nova York poderia ser descrita como um pequeno mundo em que os países aparentemente aboliram suas fronteiras. Línguas, raças, etnias, cores e credos e procedências as mais exóticas e variadas percorrem incessantemente as ruas, lojas, restaurantes, museus, galerias, escritórios e metrôs deste formigueiro que não dorme nunca.

Apesar da notável miscelânea, a integração é praticamente nula, cada qual em seu universo pessoal, e que ninguém invada meu espaço porque por aqui a privacidade é de fato aceita e respeitada, mesmo em tempos de guerra além mar.

Se você pensa que o paulistano é o exemplo mais acabado do ser humano individualista é porque nunca viu um novaiorquino apressado indo ou voltando do trabalho, absolutamente fechado em seu mundo, atropelando quem se interpuser em seu caminho, cego para qualquer coisa que não seja seu mundo interior, e em geral falando sozinho. Como tem gente falando sozinha nas ruas de NY!

E fala-se português, muito. De acordo com os dados da imigração, cerca de 200 mil brasileiros vieram viver legalmente em solo americano, menos de um quarto disso em Nova York. Mas, pela quantidade de patrícios que se podem encontrar em todo canto, a conclusão é óbvia: o turismo do Brasil para cá vai muito bem obrigado e a imigração ilegal também.

Mas, com alguns dólares, não há muito do que reclamar: a quantidade de atrações culturais e gastronômicas, a profusão tecnológica, a estética, a moda e a qualidade de vida básica é ainda sempre de encher olhos. Basta bater perna pelas ruas, avenidas e parques, porque mesmo com a temperatura entre 5 e menos 5 graus celsius, a festa não pára. Até mesmo para um dos principais cartões postais da cidade, que são os famosos homeless, os mendigos daqui, que no inverno ganham muitos e bons tetos e comida quentinha, seja por iniciativa de entidades religiosas, ou de ONGs como uma certa Organização dos Sem-Casa Unidos, que tem até sede própria e logotipo.

Ícone de tantas contradições, símbolo do poder da potência que adora mandar no mundo, Nova York encanta por suas desproporcões, seus superlativos e seus exageros, para o bem e para o mal.

Como diriam alguns, a nível de turista, ok...

Luiz Caversan, 54, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve aos sábados para a Folha Online.

E-mail: caversan@uol.com.br

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