Pensata

Luiz Caversan

30/09/2006

Um voto de vontade

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Na reta final da eleição --que ao que tudo indica será definida mesmo no primeiro turno, salvo surpresas-- o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) divulga os números que dão a dimensão da enormidade de nossa democracia: teremos neste pleito quase 126 milhões de brasileiros aptos a votar.

Isso é muita coisa, mais que a população da imensa maioria das nações do planeta, um continente inteiro de cidadãos que podem sufragar aquele (ou aqueles, governadores inclusos) que vai comandar seus destinos.

É motivo de orgulho, só não orgulho completo, do meu ponto de vista, uma vez que o voto ainda é obrigatório, não uma alternativa àquele que quer, de vontade própria, exercer um direito, não obrigação.

Mas, vá lá, para um país que ficou mais de duas décadas impedido de chegar perto de uma cédula em que estivesse anotado o nome de um candidato presidencial, isso é uma conquista e tanto.

Ainda mais que 2% desses eleitores, cerca de 3 milhões de pessoas, são adolescentes com idade entre 16 e 17 anos, ou seja, não são obrigados a votar, mas foram atrás de seu título de eleitor e tudo indica que vão debutar na democracia. Mais uma vez, ótimo. É isso que tem a ver, como já defendi anteriormente, com democracia plena: a consciência de exercer a cidadania por iniciativa própria.

Apenas para complementar os dados do TSE: os restantes eleitores são aqueles que têm a obrigação de votar, 115 milhões de cidadãos com idades entre 18 e 69 anos, e 7,6 milhões podem ou não votar, porque ultrapassaram os 70 anos.

Do total geral, diz o TSE, a maioria é mulher (51,5%), e nada menos que 6% (cerca de 8 milhões) são analfabetos, aqueles que até a Constituição de 1988 estavam proibidos de ir às urnas.

Outra conquista, ainda que paradoxal, para esse país em que, de acordo com o IBGE, há mais de 30 milhões de pessoas que não sabem ler nem escrever.

Números à parte, neste domingo define-se um rumo para o país, e quem o faz é seu povo.

Ainda há problemas no processo político, ainda amadurecemos uma democracia relativamente jovem, que sobreviveu a duas décadas de ditadura; há muito para aprender, sem dúvida.

Mas a principal lição que se nos apresenta é, na verdade, uma grande oportunidade: a de ir às urnas não porque devemos ou porque podemos, mas sim, porque queremos.

Luiz Caversan, 54, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve aos sábados para a Folha Online.

E-mail: caversan@uol.com.br

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