Luiz Caversan
Mais homens x mulheres
O artigo da semana passada, "Homens que matam mulheres", gerou celeuma e, no mundo virtual, replicou o que ocorre freqüentemente na vida prática, opondo moços e moças.
Isso, mais o fato de poucos dias depois da publicação do texto um homem ter matado a mulher esmagando-a com o carro contra uma parede, motivou a volta ao assunto, aparentemente inesgotável e, como disse, revelador das pequenezas da alma.
Não apenas a alma dos homens...
"Não se esqueça que mulheres são mestras em violência psicológica. Além do mais, quando existe separação geralmente a mulher fica com os filhos, casa etc. Por isso que é muito mais fácil para as mulheres pedirem divórcio. Para mim, e também para você que é um jornalista, `Homens que matam mulheres' não deve ser motivo de espanto."
A observação acima faz parte de um e-mail de um leitor. Claro, nada a discordar com a primeira parte, e quando escrevi sobre a violência masculina não ignorei a feminina, apenas me ative aos fatos recentes, ao grande número de casos que ocorreram dias atrás e infelizmente voltaram a ocorrer dias depois.
Quanto ao "espanto", nem pensar: nunca a violência contra outrem, seja qual for o sexo, a raça, o credo, a idade etc. deixará de me espantar, indignar, revoltar.
Se o leitor acha que a violência psicológica das mulheres está aí para justificar a truculência masculina, me inclua fora dessa!
Não que ela não exista; há e muita. Tenho um caso próximo, de um grande amigo que foi atormentado no limite da loucura porque simplesmente disse à garota que não a queria mais, sem nenhum desdém, desrespeito ou grosseria. O amor acabou, era um namoro aliás, deveria ser apenas um adeus.
Mas não foi...
Numa só noite ela chegou a ligar 120 vezes para a casa dele.
Invadiu seu apartamento, acampou na porta de seu prédio, ameaçou de morte e revelou um desequilíbrio tal que meu amigo temeu por algo mais sério. Até que, assim como tudo começou terminou, sem que houvesse uma explicação para isso...
Mas certa postura das mulheres, como a expressa por intermédio de um e-mail de uma leitura, dá a pista da razão pela qual a violência masculina explode livre e solta:
"O que está acontecendo com o mundo, com os homens? Será que jamais aprenderão o que Deus designou a nós mulheres? A importância que temos para que a humanidade continue, que a vida siga os desígnios Dele?"
Até aqui concordamos em termos, mas veja o complemento do e-mail:
"Não sofri violência física, apesar de ter passado por uma tentativa, enquanto estava grávida de 7 meses da minha filha mais velha, mas durante quase 13 anos de casada sofri todo tipo de violência verbal.
Desculpe pelo desabafo, mas espero que algum dia as mulheres tenham liberdade de seguir seu livre arbítrio e dar continuidade à vida..."
Um bom começo seria não achar que uma tentativa de agressão física a uma grávida mais 13 anos de xingamento devam ser tolerados.
Ou seja, há casos em que a violência explode porque o agressor se sente completamente à vontade para extrapolar, porque quem agüenta anos e anos de xingamento, pode pensar uma mente desequilibrada, aceita perfeitamente bem umas porradas...
O livre arbítrio, referido pela leitora, entra aqui como poder moderador, ou seja, para determinar os limites em que devemos nos conter, amem-nos ou rejeitem-nos. E para não aceitar em hipótese alguma que a violência seja elemento cotidiano de nossas vidas.
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Luiz Caversan, 54, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve aos sábados para a Folha Online. E-mail: caversan@uol.com.br |
