Luiz Caversan
Juntamentos e apartações
Os dados divulgados pelo IBGE dias atrás confirmam duas situações que são facilmente constatáveis pela simples observação da realidade que nos cerca:
1 - As pessoas estão se casando mais.
2 - As pessoas estão se separando mais.
De acordo com o instituto, no ano passado foi registrada a maior taxa de separações (divórcios) desde 1995. Qual seja: 1,3 para cada grupo de mil brasileiros e brasileiras com mais de 20 anos.
O que significa um aumento real de 15,5% em relação ao ano anterior, 2004. Ou ainda: as formalizações de separações subiram de 130 mil para 150 mil.
Um bocado, não é?
Vale ressaltar que o Sudeste, onde há a maior concentração de áreas urbanas do país, foi campeão nos divórcios (será fruto da famigerada "neurose urbana"?)
Na outra ponta está lá: o número de casamentos aumentou bem, obrigado.
Nada menos que 835 mil casórios em 2005, o que significa aumento de quase 4% em relação ao período anterior.
Antes de entrar nas considerações sobre os números relativos a juntamentos e apartações, quero deixar clara minha decepção com relação a outro dado da pesquisa: o mês preferido pelos nubentes para contrair núpcias é dezembro! Ou seja, a minha fantasia de "maio, mês das noivas", foi para a cucuia. E mais: faz tempo, porque o que manda mesmo é o dim-dim, e as pessoas casam mais quando podem mais, ou seja, no mês do 13º salário. Tudo a ver, e portanto há grande chance de o caro leitor te ido ou estar prestes a ir a alguma conjunção matrimonial nos dias que correm...
Quanto aos dados, primeiro a análise do IBGE: as pessoas têm se casado (oficialmente) mais porque está mais fácil, casa-se, além de no cartório, em cerimônias coletivas, na prefeitura, na paróquia, na associação de bairro etc.
A Justiça tem dado uma mãozinha aos pombinhos.
E quando o bicho pega e o divórcio é a única saída, qual a explicação para isso?
Bem, aqui deixo a cargo de cada um fazer seu juízo --e ele pode ser apenas aritmético, ou seja, quanto mais se casa, mais se separa.
De minha parte lanço mão da análise da minha amiga Márcia Santi, que na advocacia tornou-se justamente expert em pendengas que surgem na hora em que a chamada vaca vai para o brejo e o que era doce acabou-se: "O problema é que o amor eterno pode durar poucos anos ou até meses. Em casos extremos, dura apenas algumas semanas. A lei que facilita a união pode facilitar a separação. Parece simples. Mas, e quando há patrimônio, bens a repartir? E, principalmente, quando há filhos cuja guarda precisa ser discutida?"
Pois é, aí a coisa complica, e muito, podendo as feridas de uma relação mal-sucedida tornarem-se sulcos para toda uma vida.
Nessas horas, aquela história de "na doença e na saúde, na riqueza e na pobreza" vira história pra boi dormir...
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Luiz Caversan, 54, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve aos sábados para a Folha Online. E-mail: caversan@uol.com.br |
