Luiz Caversan
Lembrando de Liana e Felipe
Faz quase quatro anos, pouca gente se lembra, mas à época doeu muito, para todos: o assassinato brutal de um casal de jovens, lindos, cheios de vida, sonhos, amores para compartilhar.
Mas, como eu disse à época, encontraram o assassino menor de idade no meio do caminho.
O que foi dito exatamente: "Liana e Felipe eram 'do bem', amavam-se e, por isso, como todos os jovens apaixonados como eles, precisavam muito estar juntos e sós.
Talvez por conta da embriaguez própria da paixão, não suspeitaram do perigo.
Talvez por causa daquela necessidade de estar juntos e sós, de esquecer do mundo 'lá fora', de se isolar para que uma suposta plenitude do amor fosse possível, deixaram de lado conselhos, cuidados, precauções.
E encontraram o assassino no meio do caminho.
Ao contrário dos dois, o criminoso é um adolescente 'do mal'. Facínora, cruel, violento. Pelo que tudo indica, não tem limites no seu instinto destruidor.
(...)
Tão parecidos e tão diferentes, vítimas e algoz.
Será que foi a imprudência dos dois que os levou até o assassino, como querem alguns, ou esse encontro poderia ter ocorrido e também redundado em tragédia num farol de trânsito, numa esquina escura, na saída de uma "balada"?
Impossível saber.
O certo é que essa espécie de contaminação que apodrece as beiradas da sociedade (beirada essa excluída pela força centrífuga da concentração de renda da parte "sã", diga-se) está cada vez mais ativa e próxima.
E nós, pais ou filhos que buscamos sobreviver decentemente, mais apavorados, vulneráveis, impotentes."
Ontem, vendo o noticiário da TV, a sensação de impotência voltou, forte e mais amedontradora. Ok, o jovem criminoso fugiu da prisão, foi recuperado, mas agora estabeleceu-se um dilema. Tecnicamente não pode ficar mais preso pelos crimes que cometeu quando era menor de idade, tecnicamente psiquiatras dizem que ele continua sendo uma ameaça à sociedade e tecnicamente ninguém sabe o que fazer com ele.
E o fato é que, tecnicamente, Liane e Felipe são hoje apenas uma vaga lembrança dos dois jovens lindos, cheios de vida, sonhos, amores para compartilhar...
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Luiz Caversan, 52, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve para a Folha Online. E-mail: caversan@uol.com.br |
